As redes sociais
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Todos os dias surgem notícias falsas nas redes sociais.
Há de tudo e para todos os gostos: matam-se pessoas; inventam-se desastres; cozinham-se politiquices, etc., etc….
Infelizmente há pessoas que se divertem, há coniventes, e há incautos.
Devia ser proibido publicar qualquer notícia que fosse falsa. Parece que o Facebook está a criar um programa para tentar evitar que isso aconteça. No entanto, é possível aos utilizadores fazerem uma pequena pesquisa antes de publicarem o que quer que seja.
Uma notícia falsa, grave e de grande dimensão foi aquela criada por um italiano que lançou um tweet onde dizia ser proveniente de António Guterres, afirmando que ele tinha o apoio do embaixador russo nas Nações Unidas. O que era falso e que obrigou a uma vasta contra-informação para repor a verdade.
O autor da proeza acabou por dizer que o fizera, apenas para provar como é fácil criar estas notícias.
Há ainda nas redes sociais citações de autores e outras. Uma grande maioria está correcta, mas há aquelas que circulam, circulam, e que são atribuídas a quem nunca as proferiu. Basta apenas citar uma, que toda a gente diz que é do ao General Ramalho Eanes, mas que ele nunca proferiu:
- “O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões, e os grandes ladrões governam o país.”
É este o “problema”, o grande problema, pois a citação é de Howard Zinn, foi extraída do livro Desobidience e Democracy, que transcrevo na íntegra:
“A desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país. É esse o nosso problema.” Howard Zinn
Notemos e aprendamos: o problema é tão grave que até foi inventada uma palavra nova, um neologismo, para designar este fenómeno – “pós-verdade”
