Boneca de pano

 

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Sou uma boneca de pano
Esfarrapado 
Esgotado
Do tempo em que brincar 
Correr, fugir, ficar
Trapalhadas 
Gargalhadas
De idades de pasmar

Sou uma boneca de trapos
Usados
Mal-amados 
Dos tempos de hoje
Amar, fingir, calar
Mentirosas
Preconceituosas
De idades d'outros falar

Sou uma boneca de pé-descalço 
Em mim confio sem fato nem laço 
Que os tempos vindouros saibam velar
As almas cálidas em noites de luar.

Sofia Geirinhas (Poetisa do pé-descalço)