Carochinha

 
 
 
 CAROCHINHA !
 
Página de Análise política por Octávio Serrano – publicada em 21/12/2017
UMA CAROCHINHA RARÍSSIMA
 
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hoje trago-vos, uma história! Muito parecida com a da Carochinha e do João Ratão, pois os protagonistas desta, também caíram no caldeirão!
Era uma vez, uma moça bonita e elegante que trabalhava num quiosque, vendendo o que se vende nos quiosques, jornais, revistas, tabaco; moça mais simpática e expedita, não havia! Até que um dia, surge-lhe uma infelicidade; ao filho que tivera, surge-lhe uma doença rara; raríssima; e ai começa o seu calvário; uma luta persistente em prol, não da cura, que não existiria, mas pelo menos, para proporcionar uma vida digna ao seu primogénito; e constata, não existir em Portugal, nada, que permitisse o apoio especializado tão necessário a estes doentes; muito menos às suas famílias. É dai, que nasce um projecto; que deveria existir; pensou ela; e vai, funda uma associação, que ao longo dos últimos dezassete anos lhe permitiu cumprir o sonho; a obra construiu-se; um lar residencial, uma unidade clinica e um espaço de cuidados continuados; obra feita! Um serviço, que o Estado por si só, foi incapaz de promover.
E hoje quem fala de Estado, fala de partidos do arco do poder; fala de burocratas, directores, secretários de Estado, ministros; para que a obra desejada, pudesse ser realizada, era necessário convencer o Poder político a financiá-la; então a senhora, com uma capacidade enorme de “vender o seu peixe”, tratou de convencer quem possuía o Poder e a decisiva assinatura; mas primeiro, alterou o seu nome pessoal; incluiu-lhe um “E”; antigamente para se ganhar importância adquiria-se um título nobiliárquico; hoje mete-se no meio do nome, o tal “E”; sai mais barato; e alcunhou-se a ela própria de doutora. Nem podia ser de outro modo, pois em certos meios de poder, só se tem estatuto com um “DR”; e o “E” dava-lhe um “elan“, de família respeitável!
A Sra. Dra. sabia daquilo que os políticos gostavam mais; de protagonismo, muito protagonismo; também de boas prendas e de cargos socialmente promotores; estão a ver, não estão? O “fulano” tal, é presidente da Mesa da Assembleia, daquela IPSS; que honra, que optimo veículo de promoção da carreira politica; e a senhora, deu-lhes aquilo que eles mais gostavam; a rodos; enquanto em contrapartida, eles lhe davam aquilo, que ela mais precisava; subsidiação; e a obra cresceu, ao ponto de ser modelar; extremamente louvável!
Só que a rapariga que vendia no quiosque já não existia; perdera-se no processo; tornara-se numa mulher poderosa, com bastante influência nos meios políticos; fossem quais fossem os partidos que estivessem no poder; e percebeu, que apesar de existir muita legislação que impunha controlo, pouco se controlava; e que a influência politica que possuía, poderia muito bem ser utilizada para impedir esse controlo.
Então serviu-se a si mesma; salários elevados, para si e para a sua família; regalias excessivas; viagens; tudo do bom; e sem esquecer, nunca, quem a apoiava; tornava-os consultores remunerados; membros gratificados de cargos directivos; prendas e viagens; ela estava no pináculo; julgar-se-ia, talvez intocável!
Mas estas coisas têm sempre um lado negro; despertam invejas e rancores; e também o afastamento de pessoas honestas, que se recusam a alinhar; e que se tornam dispostos a denunciar! E as denúncias começaram; para os serviços da SS e do ACT; estes preferiram ignorar; até que alguém, companheiro de percurso, foi afastado; zangado, denunciou; a jornalistas; e o escândalo rebentou; os políticos fugiram; um mais chegado caiu, para dentro do caldeirão; juntamente com a Carochinha! E o caldeirão da opinião pública não perdoa; é vingativo e inexorável!
Quantas Carochinhas existirão neste país?