Conto sem sorrisos nem risos - Conclusão
Parte III
Com muita sorte
O tempo passou, nada mudou, nova reunião, que os quadros das grandes empresas gostam muito de reunir entre si, ou com outros menos-quadros, ou seja subalternos de primeira categoria. E os amigos, como não podia deixar de ser, voltam a encontrar-se.
Abraço puxa abraço, palavra puxa palavra, um cada vez mais gago, sempre a gabar-se da sua muuiitaaa soortee, e o outro feliz pelo bem-estar do amigo.
Como a reunião tinha continuação no dia seguinte, resolveram jantar juntos e, depois, ir a ma daquelas casas onde uma certas senhoras se reúnem para tirarem a barriga de misérias a troco de uns “miseráveis” cobres.
Um amigo comum deu-lhes o número de telefone, a morada e a senha. O da “muita sorte” ligou e marcou. Confirmou a senha. E aprontaram-se.
Só que o amigo “provinciano”, por problemas de consciência ou pela má disposição que alegou, baldou-se e resolveu ficar no hotel a olhar o ambiente…
O “muita sorte” não desistiu. Foi-se, tocou a campainha, deu a “senha” e subiu para o aposento reservado, e fez ou sujeitou-se ao que pôde. E desceu feliz.
No dia seguinte, antes da reunião, pergunta-lhe o amigo:
- Então, pá, como correram as coisas? Valeu a pena?
- Valeu, claro que valeu.
E continuou:
- Sou um homem com muiuitaaa soortee. Com muita sooortee mesmo. Ao descer, vi a minha mulher na sala com umas amigas, mas ela não me viu. Sou uma pessoa com muuuitaaa sorte, muita sorte mesmo, não sou?...
- Olá se és, Se és, meu caro. Que a sorte continue a acompanhar-te!
(E pensando com os botões: Chiça!...)
