CONTRA-SENSO

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*Ao Presidente da República*
*Ex.mo Senhor Professor Dr. Marcelo Rebelo de Sousa*

*Excelência,*

*Enquanto a produção nacional, apoiada, se desdobra para estabelecer laços
comerciais em novos mercados, conseguindo - com duvidoso mérito -
impulsionar o crescimento das exportações, e, alguns com isso exultam, os
retalhistas - os realmente portugueses - confrontam-se com o emagrecido
consumo interno.*

*Contente pela esperança do crescimento, ao mesmo tempo que muito
apreensivo pelo emagrecimento do consumo interno.*

*É que, produtores nacionais - talvez inconscientemente - entregam ao
exterior o que fabricam a preços muito inferiores aos que praticam no
mercado interno (antes de IVA).*

*A diferença é tal que permite, aos compradores "amigos", estabelecerem
redes de retalho onde colocam esses produtos no nosso mercado interno a
preços impraticáveis pelo retalho português, qual xeque-mate à
independência da produção nacional.*

*Assim, os laços estabelecidos com os novos importadores "amigos" podem ser
apertados a todo o momento, estrangulando os produtores e a
economia nacionais, com as subsequentes regressões no emprego.*

*Nos dados estatísticos não há sinal de alarme. Ao retalho realmente
português - principalmente de natureza familiar - não é dada a devida
relevância no tratamento estatístico.*

*Porque reconheço a V. Exa. o superior mérito duma capacidade de diálogo
com todos os agentes, atrevo-me a colocar-lhe este alerta sem dúvidas de
que lhe dedicará a atenção e afecto justificados.*

*Respeitosamente,*

*Sande Brito Jr*