DE PATAS PARA O AR...

 

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As 35 horas de trabalho, especialmente as que formatam a função dos enfermeiros nos Hospitais, estão a dar cabo da funcionalidade do SNS.

É tudo muito lindo. Falar, encurtar os turnos, dar palmadinhas nas costas, discursar para a imagem política, legislar e vir defender esse princípio laboral.

O pior é a prática.

E o que está, agora, à mostra é o que se vê.

Ficou tudo desfuncionalizado, com serviços a penar sem gente, com ameaças de que têm de se encerrar departamentos nalguns hospitais, principalmente no interior - sempre o mais sacrificado - e com 3 horas a menos no genérico dos turnos que estavam estipulados, antes.

Fizeram esvaziar, os políticos e sem pensar seriamente na situação, o sistema que estava devidamente enquadrado.

Ninguém pensou, previamente, nas consequências, altamente nefastas para o SNS desta ceifa de horas ?

Mas o Governo e o Ministro da Tutela promete contratar, pelo menos numa 1.a fase, mas sem correspondência para as necessidades, mais 2 mil profissionais deste ramo da saúde.

Esta forma apoucada de implantar novas ideias/situações sem estar tudo preparado, só pode dar asneira.

Os sindicatos vêm logo dizer que houve desinvestimento no sector e que esta realidade é resultado disso.

Ora bolas, para tal forma de ver a coisa... e de defender a redução de horas.

E quando outras classes laborais clamarem por igual tratamento de horário laboral ?

O que nos irá acontecer ?

Vamos ter menos resultados nas empresas, sejam públicas e privadas, havendo esmagamento de toda a coordenação do mundo do trabalho.

Isto não é só legislar. É averiguar, antecipadamente, quais os resultados nefastos que podem ser provocados.

E nunca se deveriam ter concretizado as 35 horas/dia, sem ter o suporte de retaguarda preenchido. Hoje, a maioria dos responsáveis por Hospitais vieram dizer que colocam em dúvida a sustentabilidade de certos serviços. E, com maior acuidade, os que, e no interior, continuam mais abandonados.

Um País não se faz com políticas avulso e sem uma pré-definição de tudo o que pode envolver mudanças.

Um País faz-se com políticas sérias e sustentadas em pressupostos realistas.

Mal comparado: parece-me a linha da Lousã. Tirou-se o comboio, com um século, sem que antes houvesse trilho financeiro e técnico para o substituir pelo metro de superfície. O resultado - péssimo para as populações do interior da Região de Coimbra - está bem visível... Ficaram mais isoladas e mais esquecidas.

António Barreiros