Diplomatas ofendidos

 

com elogio do 113 aos irmãos Sobral

Após Marcelo Rebelo de Sousa ter afirmado que os irmãos Sobral, representantes de Portugal na Eurovisão na edição passada eram “embaixadores mais qualificados e mais eficientes que a generalidade da diplomacia” portuguesa, a classe sentiu-se ofendida e enviou um protesto para o Palácio de Belém.

Assim, a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses (ASDP), que representa 350 dos 463 diplomatas nacionais, e único sindicato da carreira afirma que as declarações de Marcelo “colocam em causa a competência e profissionalismo” daqueles que a exercem.

“Não posso deixar de lamentar as declarações proferidas por Vossa Excelência a propósito da ‘generalidade da nossa diplomacia’ que colocam em causa a competência e profissionalismo de toda uma carreira especial do Estado, denegrindo a sua imagem e, como tal, a própria credibilidade das instituições públicas”, pode ler-se na carta escrita pelo embaixador João Ramos Pinto, presidente do conselho diretivo da ASDP.

As palavras de Marcelo foram proferidas ao condecorar Luísa e Salvador Sobral com o grau de comendadores da Ordem de Mérito. “Na prática, são embaixadores de Portugal. Por mérito próprio. Por mérito do seu talento e da sua aplicação”, afirmou o Presidente. Depois, e à parte do guião, acrescentou: “E, com todo o respeito que me merecem os nossos embaixadores, são embaixadores mais qualificados e mais eficientes do que a generalidade da nossa diplomacia.”

Em resposta ao contacto do jornal, o Presidente afirmou, por escrito, que “não está, nem nunca esteve em causa, a excelência da nossa diplomacia. Mas a própria realização, neste momento, do Festival Eurovisão da Canção em Lisboa fala por si quanto à projeção alcançada por quem, pela sua qualificação e eficácia, projeta a imagem de Portugal no mundo.”

O Ponney é de opinião de que Marcelo se não referia aos diplomatas de carreira, mas sim às “gorduras”, como é o caso de Catarina Furtado.

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