Emprestara

 

Emprestara minha boca

À Primavera

Pra poder beijar as flores

Encher meu peito de amores

De aconchegos e meiguices

E, passados os dias

Ouvira falar

Que aquela que tolices

Cantara

Se forçara ao calar

 

Emprestara meus olhos

Ao Estio

Pra sentir o azul do mar

Cheirando odores salgados

Que meu amor viera cantar

Em meu regaço encharcado

De suores apaixonados

Soltara gritos de alegria

Dos calores espraiados

Beijos d’amor de sal

 

Emprestara minhas mãos

Ao Inverno

Pra gelar meus sentimentos

Pesados, tormentos

Momentos dolentes

Olvidados nas brasas

De um fogo apagado

Oh! Seres dementes

Em acminhos cruzara

Outros seres crentes

 

Emprestara meu coração

Ao Outono

Mendigando seu dono

Ofertando sua dor

Embriagado de medos

Cantando mil, os segredos

Vivera de desenganos

Passara os anos

Fingindo querendo

De amores se perdendo.

Sofia Geirinhas