Estórias

 

ESTÓRIAS !!!...

 

Contava amigo meu, ainda inebriado pela sua entrada na "Faculdade", onde estava a começar a "queimar as pestanas" e a  "coçar os fundilhos das calças", nas carteiras e mesas das salas de aulas e bibliotecas, que um certo mestre, do alto da sua cátedra, donde fedia verborreia e cagança, ao ministrar a cadeira de "Introdução ao Direito", contava, amiúde, uma certa "estória", não se sabe se para incentivar ou apenas para aguçar o apetite pela escolha de uma das várias alternativas que  o curso facultava, depois de concluído, como é evidente!  -  Os tempos eram outros, ainda não se tinham descoberto os cursos para políticos, nem a passagens administrativas, e muito menos os "canudos" tirados por correspondência" em fins de semana!

Bem, mas deixemo-nos de devaneios e coisas "menos limpas" e façamos a vontade ao lagarto "Ái Jisus", o eterno defensor do "limpinho, limpinho" - certamente, tal e qual como a água suja -, e vamos então à "ESTÓRIA"!

 

- Contava ele que, num recôndito e inóspito lugarejo, deste Portugal, profundo e desigual, dois "compadres", por razões de ordem económica, aliadas às das necessidades de sobrevivência, resolveram fazer aquilo a que, em linguagem chã, se chama de "vaquinha", e, em termos mais eruditos, de "sociedade"! Tal facto resultou da circunstância de um ter recebido uma pequena herança em "moeda corrente" e não possuir terrenos, e o outro o inverso, como diria o meu tetravô, homem de grande sageza!   Do contrato, "verbal" como era uso quando um aperto de mão bastava para selar e fazer cumprir um negócio, constava que um se encarregava de comprar uma "vaca leiteira" e o outro obrigava-se a apascentar a mesma, tirar-lhe o leite e dividi-lo em partes iguais, sendo que cada um faria da sua parte o que muito bem entendesse!  E... o combinado lá funcionou durante vários e alguns anos, até que um dia, ambos chegaram à conclusão de que o contrato deixara de ter razão de ser, dado que a vaca, COITADA, estava esgotada!!!  E é neste preciso momento que, como sói dizer-se, o "caldo se entorna"! Ambos achavam que tinham o direito de ficar com a vaca, um porque a tinha comprado, e o outro dado que a tinha apascentado nos seus terrenos, a tinha cuidado, tivera o trabalho de lhe tirar o leite e dividir em partes iguais, enfim, e mais umas quantas minudências!

Compadres e amigos, resolveram, para evitar mal entendidos,  recorrer à "JUSTIÇA", ficando assente que, fosse qual fosse o veredicto, o mesmo seria aceite sem constrangimentos ou ressentimentos!

Assim, logo no dia seguinte, um deles resolveu dirigir-se a um ADVOGADO, sediado em terra não muito distante, a quem expôs o problema, sendo que recebeu como resposta "Ter Inteira Razão" e que a vaca lhe pertencia, por direito!

Num dos dias seguintes, mas sem grandes dilações, e porque este ADVOGADO era o que exercia a sua actividade, em localidade mais próxima, apareceu, no seu escritório, o "OUTRO", a contar-lhe a mesma "estória"! Depois de o ouvir, com ar condoído e paternalista, o causídico, levantou os olhos, e diz-lhe: -"ó homem, efectivamente você tem razão, mas o seu compadre já cá esteve, e eu aceitei o caso. Contudo, posso recomendá-lo a um colega meu, bastante competente, para lhe tratar do assunto"!  Como o homem concordou, ele agarra numa folha de papel, escreve nela, e mete-a num sobrescrito dirigida ao colega, e pediu-lhe segredo da situação, dado que se tratava de segredo com o qual o seu compadre nem sequer poderia sonhar, por motivos óbvios!

No dia seguinte, o pobre homem lá se apresenta no escritório desse outro advogado, a quem entrega a carta, e conta, de novo, a  situação. Nessa altura, o defensor, passa os olhos pelo texto que o colega lhe havia dirigido, e lê: - Caro Colega, tenho aqui um "pato" para depenar! Envio-lhe o outro! «A VACA É NOSSA» !!!...

 

Mas..., onde é que eu já vi uma "CENA" destas?!!!

 

Oinotnaatsitpab