*GESTÃO DANOSA E DOLOSA DA COISA PÚBLICA ?*
*Sande Brito Jr*
Relatórios da Caixa estiveram seis meses na gaveta e despachados a 15 dias
das eleições
Durante seis meses, o Ministério das Finanças liderado por Maria Luís
Albuquerque teve na gaveta pelo menos dois pareceres da Inspecção-Geral das
Finanças relativos a relatórios trimestrais da Comissão de Auditoria da
Caixa Geral de Depósitos de 2014 que mostravam um agravamento das
imparidades do banco público.
De acordo com os documentos que o jornal Público diz ter visto, os
pareceres estiveram guardados de Março a Setembro do ano passado e só foram
despachados pelo secretário de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues,
quinze dias antes das eleições legislativas de 2015.
Os alertas que mostravam o aumento das imparidades no banco
público estiveram congelados seis meses, destaca a publicação na primeira
página da edição desta segunda-feira.
Em causa estão os pareceres habituais da Inspecção-Geral das Finanças aos
relatórios do terceiro e do quarto trimestre de 2014 da Comissão de
Auditoria da Caixa Geral de Depósitos (CACGD). Os documentos, que como é
logo dito na informação de despacho não constituem "uma opinião de
auditoria”, mas sim o evidenciar dos “aspectos mais relevantes” do
relatório da CACGD, chegaram ao gabinete de Manuel Rodrigues em Março de
2015 (o do terceiro trimestre a 12 de Março e o do quarto a 20 de Março),
mas só foram despachados pelo governante para a Direcção-Geral do Tesouro e
Finanças seis meses depois.
Esta informação mais detalhada sobre os caminhos dos documentos vai ao
encontro do que foi referido no relatório do Tribunal de Contas divulgado
na semana passada, que revelou a existência de um insuficiente "controlo
[da CGD] pelo Estado” entre 2013 e 2015, nota o jornal.
Imagem retirada da net