Lapidar

Lapidar

Quando fala, mesmo sem saber o que está a dizer, Costa é lapidar. Um génio. O máximo da inteligência. Inigualável. Quer dizer, Sampaio batia-o. Por pouco mas batia-o.

Há dias, Costa produziu mais uma das suas famosas frases lapidares: “As famílias portuguesas deixaram de viver com o credo na boca”.

Fantástico. Inebriante. Quanta sabedoria num naquinho – ou naquito, à boa maneira de canito - de prosa. Que súmula de pensamentos profundos só ao alcance de Sócrates, de Platão ou de Plínio, o Velho.

E quanta verdade, verdadinha, verdadona! Uma perfeita contradição do que, relativo ao pensamento humano, até à sua lúcida expressão imperava: “Nihil novum sub sole” Nada há de novo sob o sol). 

Costa descobriu, não inventou. Descobriu que as famílias portuguesas, no estado laico em que as inserem, deixaram-se do “credo” (creio), não acreditando já em algo. Sabem, por experiência própria que não precisam de acreditar, pois sentem na pele, na carteira, na boca, o travo amargo da quebra do nível de vida mercê do inflacionado custo dos bens de primeira necessidade. As famílias sabem, apesar dos economistas o escamotearem, que o crescimento do PIB está mascarado com a inflação que nunca mais é travada; sabem que o “crescimento” em Portugal foi de 2,8 por cento mas em Espanha foi de 3%, e no resto da Europa, semelhante.

As famílias portuguesas já não andam com o credo na boca porque, apesar da propaganda, nem “credo” têm para se agarrar.

Costa é o máximo dos máximos. Lapidar.E a continuar assim, em breve poderá ser considerado o rei da lapidação…