Na primeira qualquer cai
Na primeira qualquer cai...
O juiz Carlos Alexandre deu a um órgão de comunicação social. Faz umas afirmações, e os lacaios de Sócrates saltaram-lhe todos em cima com o intuito de o liquidarem. Compreende-se. Carlos Alexandre é uma pessoa íntegra e não tem cedido a ameaças. E Sócrates, o governo socialista e os seus apaniguados não podem ver o chefe voltar para trás das grades, arrastando-os.
Sim, toda a gente pergunta como é possível a investigação a José Sócrates estar a demorar tanto tempo. Fácil de explicar: primeiro, porque o poder político deste país à beira-mar plantado, prestes a afundar-se, nunca se mostrou realmente interessado em combater a corrupção. As leis que (des)regulam o seu combate são péssimas para os polícias e excelentes para os ladrões; em segundo, porque aquilo que o ministério público está a querer investigar – com todas as oposições - não é apenas uma simples ocorrência, um mero acto de corrupção, mas sim um modo de manobrar em inúmeros negócios, o que não é a mesma coisa. Aceitar, melhor, dizer, que Sócrates foi o maior criminoso político da História da democracia portuguesa, é (ir)realidade que não parece incomodar por aí além todos aqueles que acham mais graves as indirectas de Carlos Alexandre do que as justificações ridículas de José Sócrates sobre a origem do dinheiro que se lhe atribui e do que, dizem, desbaratou em superfluidades.
Sócrates dá entrevistas e escreve depoimentos a queixar-se do ministério público e do juiz. Queixa-se agora do presidente da república, deste país que ele, sócrates, transformou na república da bandalheira.
Sócrates, enquanto governante, apesar de indiciado, safou-se sempre dos processos em que esteve envolvido: foi a Cova da Beira, o Freeport, o Face Oculta. Espera agora que lhe aconteça o mesmo em relação ao grupo Lena, a Vale do Lobo, à PT, e às negociatas do Brasil em que se envolveu com Lula da Silva.
Neste país respira-se muito melhor do que em 2008 ou 2009, mas as contas dos anos Sócrates ainda estão por fazer. Na política e nos jornais, os seus viúvos – que voltaram com Costa ao governo da geringonça – tudo gente séria - continuam por aí, e o número de textos que escrevem a criticar o Ministério Público é proporcional ao número de textos que não escrevem criticando o comportamento de Sócrates ou os anos que levaram a apoiá-lo. Em nome de belos princípios, ditos mas não seguidos, limitam-se a defender os seus almoços e as suas opiniões entre 2005 e 2011, pedindo todos os dias aos santinhos, a todos, para que a investigação, imparável neste momento, falhe redondamente. O problema é que com todos os santinhos a dar um empurrãozinho, o empurrão pode ser tão forte que se estalem mais depressa que o pretendido.
Apesar dos milhões que a inefável figura parece estar a esbanjar com advogados, jornais e outros meios de comunicação que lhe são afectos, o seu destino parece definido. Se o presidente da república se não atemorizar, obviamente.
