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António Manuel de Oliveira Guterres, engenheiro de formação, político por vocação, secretário-geral da ONU por unanimidade e aclamação, é esta tarde beatificado, perdão, empossado nas novas funções na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, o altar, perdão, o umbigo do mundo. Às 10 horas da manhã nova-iorquina, três da tarde deste lado do Atlântico, Guterres fará o juramento da praxe, testemunhado, não por meio mundo, mas por representantes do mundo inteiro. E também por Marcelo Rebelo de Sousa, seu siamês político, António Costa, seu afilhado partidário, e o padre Vítor Milícias, seu confessor e especialista em assuntos de santidade, que não me deixa mentir.
Por cá, é de prever que se continuem a cantar hosanas ao homem, à obra e ao percurso. Quem se lembra do país execrar Guterres como execrou os seus piores não deixará de apreciar a ironia desta unanimidade liquedefeita perante o homem a quem João Miguel Tavares chamou, com propriedade, “Santo António de Nova Iorque”.
O colunista do Público só não acertou em cheio porque o nosso muito português António foi adotado pelo mundo como o “Tony” (que pena já não ter aquele bigode dos anos 80…), conforme se percebe nesta reportagem do Ricardo Lourenço, que falou com quem o conhece e com quem sabe o que o espera nos próximos anos. Os trabalhos que Tony Guterres tem pela frente vão exigir-lhe nada menos que paciência de santo, visão de profeta e mãos de milagreiro. Porque o mundo, como diria Vasco Pulido Valente, está perigoso. Eis alguns exemplos das últimas horas:
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