QUANDO O BLOCO CONSEGUIR

  •  QUANDO O BLOCO CONSEGUIR
*...que a produtividade tecnológica seja repartida por todos, sem excepção,
deixará de ser um horror trabalhar menos horas.*

*De facto, já é um horror - para o bloco - trabalhar. Coisa que nem numa
equipa pequena sabe fazer, como se vê pelo simples exemplo:*

*«*
*Boa tarde,*

*Julguei que o Bloco fosse realmente um bloco. Afinal não é. Nem sequer
sabe trabalhar em equipa!*

*Ou, será que a Cristina não confia nela?*

*Sande Brito Jr*

Em 27 de dezembro de 2016 17:03, Cristina Andrade <Cristina.Andrade@be.
parlamento.pt> escreveu:


*Cristina Andrade*



Assessora Parlamentar

Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda

Palácio de São Bento. 1249-068 Lisboa

* »*
*Outra leitura possível, por mais simplória, é não saberem fazer o
encaminhamento automático para quem, querendo trabalhar, tenha
disponibilidade para responder.*

*Sande Brito Jr*

 Francisco Louçã Opinião Que horror, trabalhar menos
horas?

Ora, pergunto eu, será mesmo crime infecto acrescentar três dias de férias?
Deve ser, tal a preocupação que se notou ao longo destes dias, com a
invocação do Carmo e da Trindade se acontecer tal recuperação do que
tínhamos.
28 de Dezembro de 2016, 5:26

O susto parece ter-se instalado em algumas boas famílias, pois constou que
em 2017 podemos ser obrigados a trabalhar menos horas. É algo exagerado,
parece que o governo vai atalhar esses atrevimentos e manter a ordem
sagrada, pese embora a umas intrigas parlamentares que se esvairão sem
consequências de lamentar. Já basta a reposição dos quatro feriados e a
redução das cinco horas a mais que tinham sido impostas à função pública,
por aí se fica a correcção aos ímpetos *troikistas*.

Quanto a dias de férias, nem pensar em voltar ao que era naqueles tempos
sombrios em que as instituições internacionais não tinham ainda corrigido
este mar de vícios e depravação que era a lei laboral em Portugal. Em
França são 28 dias e em Inglaterra 30, mas esses antros de perdição estão
perdidos.

Ora, pergunto eu, será mesmo crime infecto acrescentar três dias de férias?
Deve ser, tal a preocupação que se notou ao longo destes dias, com a
invocação do Carmo e da Trindade se acontecer tal recuperação do que
tínhamos (e sobrevivemos nesse passado obtuso). Mas nem sempre toda a gente
pensou que menos horas de trabalho seria um perigo civilizacional.

John Maynard Keynes, economista britânico, publicou em 1930 um texto com
esta tese: se em cem anos o nível de vida crescer oito vezes, então os
nossos netos poderão trabalhar três horas por dia. Sim, leu bem, Keynes, um
Lorde inglês, prometia aos netos que viriam a trabalhar 15 horas por
semana. Escrevia ele que, com tal crescimento, as necessidades do “velho
Adão” não exigiriam mais do que um trabalho residual e os netos poderiam
dedicar-se ao lazer, à cultura e à vida, ou seja, viver melhor.

É verdade que o que definimos como consumos elementares se transformou.
Metade da população mundial tem um *smartphone* e em 2020 poderá chegar a
80%. Todos os que não são pobres, se não mesmo alguns pobres, têm hoje
acesso ou desejo de acesso a alguns bens que não são os do “velho Adão”.
Mas, para usar esses consumos sofisticados, também precisamos do mais
sofisticado dos bens, o tempo. Ou, como dizia o senhor Ford, “ao operário
de pouco serve o automóvel se fica na fábrica de madrugada até ao
pôr-do-sol”.

É claro que o tempo sempre foi uma disputa. De facto, trabalhava-se menos
horas antes do desenvolvimento do capitalismo industrial. No século XIV, o
horário médio seria de nove horas por dia, com feriados que chegariam a um
terço do ano: em França, além dos 52 domingos, havia 38 feriados e 90 dias
de descanso, 180 no total. O mesmo em Inglaterra.