Entre os dedos dos poetas


Entre os dedos dos poetas

Cruzam-se consoantes

Vogais abertas

Dançando

Numa folha de papel

Apartam males

Enganos, desenganos

Soltam gritos

Onomatopeias

Criam-se paisagens

Personagens alheias

Dum fado inesperado


Entre os dedos dos poetas

Dá-se a fuga das letras

Viajando entre linhas

Vagando

Sonhando

Oh palavras!

Que fostes minhas

Perseguidas p’la tinta

Telas, pincéis

Verdades pintara

Minha esperança

Que saudades fintara.

Sofia Geirinhas