A 25.ª hora, de Virgil Gheorghiu e a 28.ª de Marcelo

 

A 25.ª hora, de Virgil Gheorghiu e a 28.ª de Marcelo

Escrito durante o cativeiro do autor — preso pelas tropas americanas no fim da Segunda Guerra Mundial —, A 25ª hora conta a história de Iohann Moritz, um camponês romeno que, equivocada ou maldosamente denunciado como judeu por um gendarme que lhe cobiça a esposa, cai nas garras dos nazistas, iniciando um périplo por diversos campos de concentração da Europa. Ao fugir com outros detentos para a Hungria, país “onde a vida é menos dura para os judeus”, acaba detido como espião romeno e é torturado. Deportado para a Alemanha, na condição de “trabalhador húngaro voluntário”, é examinado por um médico nazista que o considera um espécime excepcional da linhagem ariana. Ambientado num cenário irrespirável, a 25ª. hora revela-se uma condenação não só do nazismo, como de todo tipo de totalitarismo. Um romance emocionante, com reflexões atuais e necessárias.

Veio-nos isto à mona em virtude de, para glória e memórias futuras, Marcelo ter prolongado por mais quatro horas o dia, fazendo lembrar Ourique em que, para a derrota completa dos, os céus ofereceram ao rei de Portugal, mais umas horitas de claridade para não haver enganos no enfiar de espadas e de outras armas de ataque no corpo dos adversários.

As comemorações oficiais do Dia de Portugal prolongaram-se por 28 horas. Entre o Porto e São Paulo, o presidente da república da brincadeira – do carnaval é o Brasil - e o primeiro-ministro assinalaram "uma história comum a centenas de milhares de famílias, que vivem como se tivessem uma só pátria"

 

O Presidente da República optou, sábado à noite, por fazer "um discurso de coração" e de abraços perante centenas de luso-descendentes, que, em São Paulo, se reuniram para celebrar o Dia de Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou a união "de alma" existente entre Portugal e o Brasil, que é resultado do património acumulado por muitas gerações e que permite resistir a todas as mudanças políticas.

Num Teatro Municipal de São Paulo completamente cheio, Marcelo Rebelo de Sousa falou após a intervenção do primeiro-ministro, António Costa e recebeu a primeira salva de palmas quando declarou: "Queremos abraçar essa grande potência mundial que é o Brasil".

"Nós, portugueses, admiramos o Brasil e orgulhamo-nos do Brasil como potência. Cada vez que o Brasil vence, Portugal sente que também vence", declarou o chefe de Estado, falando, depois, no caráter invulgar das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.

"É um dia que tem 28 horas, começou esta manhã no Porto e continua aqui em São Paulo", disse, sublinhando os laços históricos que unem os dois países e referindo-se mesmo ao percurso da sua própria família, com constantes mudanças de vida entre Portugal e o Brasil destacou como existem "centenas de milhares de famílias, que vivem como se tivessem uma só pátria". Ou uma só mátria, acrescentamos nós, que pugnamos pela igualdade de sexos.

Um dia de 28 horas é mesmo fixe. Para o próximo ano tem de ir a Macau. Ou a Timor. E, a caminho de Portugal, para dinal de festa, ir atirando pelas janelas do avião, daqueles papeizinhos de carnaval e serpentinas ou bilhetinhos com beijinhos e abraços.