O ASSUNTO

 

Não havendo falta de assunto, aprovado que está o OE2018 a que apenas falta atribuir as palavras convenientes em sede de especialidade; conformado que parece o país com as inexoráveis alterações climáticas, crente, também o governo, numa sempre benvinda solução divina; certos de que, quanto a roubos de paióis o material surgirá algures, com bónus e sem culpados (ao contrário do que se passa com os multibancos); sossegados pela ASAE que, finalmente, foi a algumas cantinas escolares e confirmou o que era de esperar, permitindo-se substituir a prevenção pela reacção; infelizes por ver os galegos resolverem em semanas o que por cá não se resolveu em meses, quanto à destruição dos lumes; evitando frequentar instalações do SNS, não venha de lá a legionella; afligidos em saber como vão conseguir pagar o malparado que outros gozaram, quiçá nalgum paraíso; estupefactos a observar o equilibrismo das forças policiais no espectáculo do agora levas tu ou agora levo eu; confortáveis com o verão de S. Martinho e esquecidos que o comentador se esqueceu de comentar o despacho do secretário da cultura do outro governo; igualmente esquecidos que o PS, mais ocupado com as oposições internas, se esqueceu de fazer oposição ao mesmo despacho; à falta de boas castanhas (este ano já se colhem quase piladas), não tendo feito frio suficiente para água-pé, a comunicação social, na vez de magusto, desancou na janta; todos desancaram, esquecendo-se das jantas anteriores; o assunto, afinal, foi a distracção!

Não faltam assuntos. E sérios!

O próximo já não é novo! Tem a ver com a utilização que o relvas fez dos dinheiros que Bruxelas quer de volta. Tem a ver com a (tecno) forma como é tão fácil não se fazer justiça neste país.

A comunicação social vai ter, já de seguida, pano para mangas, para explicar como vão ser os contribuintes a fazer a devolução.

E sérios, os assuntos, velhos de estruturais, vão continuando na penumbra dos assuntos da intoxicação social.

Sande Brito Jr