O esbulho

 
*O constrangimento orçamental do país, com ligeiríssimas oscilações, tem
sido permanente e transversal a todos os governos, que encararam as
respostas com a mais conveniente interpretação do contexto político,
enquadrado nas leituras das sondagens, da relação de forças na AR, bem como
nas movimentações dos lobbies dentro dos aparelhos partidários.*

*Assim, o orçamento do estado foi sempre um instrumento para colocar os
contribuintes a pagar tudo - o que deve ser do conhecimento público, bem
como o que jamais poderá ser do conhecimento público.*

*Tal como alguém usa "testas de ferro" para camuflar o que convém camuflar,
também os governos criam "organismos" para serem dotados de determinadas
receitas para cobrir determinadas despesas.*

*Daí que nunca poderão ser transparentes os processos de criação dos tais
"organismos" ou "entidades" e das nomeações para @s mesm@s - nem
pré-definidos os perfis profissionais dos candidatos a nomeação - pelo que
sempre sobra a conveniente margem de manobra para os lobbies dentro dos
aparelhos partidários, os mesmos que, também, controlam o grau de
"independência" dos senhores deputados.*

*É, pois, compreensível que no poder - diga-se, governança - se junte a
fome com a vontade de comer, o que significa fazer um banquete só para
convidados. De fora, sem sequer cheirar, ficaram todos os que tiveram, têm
e terão que o pagar.*

*E é este "brilhante" raciocínio que faz luz eléctrica para a leitura de
tudo quanto tem sido debate, comentário, opinião, crónica  ou o que seja,
em toda a comunicação social. Leitura que não permite encontrar
responsabilidades, porque a empresa era pública e tudo foi feito sob a
égide do estado, o estado sempre constrangido pelo orçamento.*

*Pois!*

*Foi assim que a fome se juntou com a vontade de comer: deixai aumentar as
tarifas, deixai regular a aplicação de taxas e taxinhas, deixai regular os
cálculos para a garantia de rendas, etc. - regular, regulam bem, porque
foram bem escolhidos e nomeados os melhores - que o sempre magro orçamento
sempre beneficiará com a incidência de IVA sobre todas essas "alcavalas". *

*Foi assim com a taxa mínima e, melhor, com a normal!*

*Os governos! *

*Que aumentando a factura energética não quiseram acender a luz.*

*Os grandes responsáveis pelo esbulho!*

*Indirectamente, os aparelhos partidários premiaram clientelas
pressionantes, garantindo lucros astronómicos e obscenos a uma colmeia de
zangãos - parasitas da colmeia sem rainha - os principais beneficiados.*

*Quando a troyca pôs o dedo na ferida que sangra, foi melhor privatizar a
colmeia, para continuar a previlegiar os zangãos.*

*Actualmente, faz-se de conta! *

*Isto é: o governo, com uma mão do PCP e outra do BE - não interessa qual
delas - destina míseras receitas do OE a "repor rendimentos" através do
IRS. Com todas as outras mãos disponíveis e mais muita imaginação, recolhe
receitas por via indirecta, encurtando os fins de mês dos sempre pagantes. *

*Como as mãos disponíveis são poucas, imaginem que até a prevenção
rodoviária justifica - em cima dos aumentos dos impostos sobre produtos
petrolíferos - um investimento em radares para cercar a área metropolitana
de Lisboa, infligindo a caça à multa sobre um terço da população
portuguesa.*

*Continuada e camufladamente, continua...*

*o esbulho!*

*Sande Brito Jr*