O REINADOR

 

Às vezes, dou comigo a cogitar – cogito ergo sum, e eu quero existir - se, neste país à beira mar prantado, não seria melhor termos um rei em vez de um presidente. É certo que nem um nem outro governam, pois um reina e o outro presidenta, isto sem qualquer ofensa ou tentativa de colagem a Vilma, a corrida presidente do Brasil.

Há dias – ou já há meses – o rei de Espanha, que, reinando, tem um país a defender, e o presidente de uma espécie de país em que os seus cidadãos também são imigrantes, juntaram-se a um terceiro para boa e amena cavaqueira nos paços de Madrid.

Não se sabe se houve repasto ou não, que, se houve – ouve bem, amigo – os meios de comunicação, ou media, à americana, que não passa de latina, ou à portuguesa mídia, como os cultos e letrados homens da imprensa lusa agora gostam de dizer e escrever.

Porca vida, porca miséria!

Talvez ainda embriagado pelas palavras de D. Duarte Nuno, que, nas suas “actuações” o comparara a um monarca, D. Marcelo, ainda com o odor da presença do rei anfitrião, não se coibiu, um tanto ou quanto a despropósito, não se coibiu em afirmar que a compra do BPI pela Caixa espanhola fora excelente para o país, o nosso ainda país, já mais estrangeiro que nosso.

Pasme-se! Pasme-se! Pasme-se!

Que excelente para o país, o ainda nosso, os espanhóis já dominarem três bancos portugueses, dois deles de primeira dimensão. Sim, “donos” da banca portuguesa, a economia do país só cresce se “eles” deixarem, e não vão fazer.

Marcelo, que já se sente D. Marcelo, um D. Pedro I ainda mais festivaleiro, sabe que, numa república ainda não pode reinar. Ou melhor, ele não faz outra coisa que reinar: com os miúdos, os graúdos, em festas e festarolas, festinhas às criancinhas… Não é reinante mas reinador. E porque quer continuar como um rei, a reinar, não o podendo fazer, vai, por enquanto, ficar-se por um prorreinante num possível prorreino, que o reino já é de “nuestros hermanos”.

 

Nota: Não acharam piada ao texto? Eu também não. Por motivos diferentes.