O Sorriso das Pétalas Amarelas – O Mágico

 Por volta de 2 482 a.C., há, portanto, 4 500 anos atrás, existiu um «mágico» a todos os níveis sobrenatural, que tinha a ousadia de se considerar um género de deus terreno - uma mescla de druida e de feiticeiro e de adivinho e de cientista e de tudo. Vivia num mundo pequenino (uma ilha recatada não se sabe com exactidão em que parte da Terra, na companhia dos seus estranhos animais de estimação, fechados no seu castelo construído nessa ilha vulcânica, sem se saber como nem em que circunstâncias), que, no entanto, ele considerava grande, do tamanho do real tamanho do mundo, numa altura em que ainda não se sabia se este era redondo ou não. Por essa altura, ainda não se diferenciavam os continentes e os oceanos tal como hoje, mas já ele sabia da sua existência, dedução feita pelos seus imaginares paranormais, apesar de nunca se ter ausentado do seu castelo altaneiro.

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Consta que este «mágico» tinha contactos privilegiados com os seres que construíram as pirâmides, lá para os egiptos, e que se reunia com frequência na aula magna de uma das naves desses seres, que se deslocava com propósito até ao seu castelo sinistro, para aí se reunirem e abordarem questões relacionadas com o futuro, na presença do Faraó de então. De um registo em papiro, um género de acta, escondido sigilosamente num lugar recatado (sem se saber com exactidão onde), mas acedido por um moderno jornalista com fontes privilegiadas, sabe-se hoje que o «mágico» tinha uma grande curiosidade em obter informações sobre como seria a zona, muitos séculos depois, onde hoje se situa a Europa do Sul.

Pois, a pedido do Faraó, os seres extraterrenos que estavam a iniciar a construção da primeira pirâmide, facultaram uma nave ultraligeira da sua tripulação, veículo inimaginável aos terrenos ainda nos dias de hoje ou nos milénios que se seguirão, tripulada por um alienígena que se adaptava aos seres de cada mundo que visitava e em qualquer tempo, de modo a não ser confundido nem a provocar desconfianças, qual camaleão, para que este se deslocasse ao futuro, e procurasse um tal de Steven Spielberg, com quem deveria conversar com pormenor, a propósito do assunto em equação.

O alienígena, adoptando o nome de Luigi, poisou a sua nave num local fácil de o camuflar e procurou Steven, que não foi difícil de encontrar. Depois das apresentações e da afinidade granjeada, foi directo ao seu intento. Luigi confessou ter vindo do passado até ao futuro – um pormenor banal na tecnologia da civilização de onde vinha - para ser esclarecido de alguns pormenores. E que tinha de regressar ao passado porque o tempo de que dispunha era muito curto, uma questão de micro tempo, assim o apelidou.

Steven foi solícito e compreendeu a pressa de Luigi – ele que sabia muito bem o que era isso de viajar no tempo, entre ir e regressar ao passado ou ao futuro.

Luigi ficou a saber: nunca os masculinos seres da ibéria foram exterminados, especialmente os lusitanos, desde que existe a Ibéria: tratava-se de masculinidade destemida em enfrentar lutas e batalhas, em defesa da honra e dos territórios conquistados; deram um contributo de sobrelevar para se delinear o actual mapa do mundo; foram pioneiros nos avanços tecnológicos das ciências náuticas, astronómicas e cartográficas; contribuíram para descobertas de novos mundos dentro do próprio mundo de forma brava e destemida; e até foram pioneiros em invenções tecnológicas de sobrelevar e em travessias nunca antes efectuadas; até as invasões bárbaras foram repelidas com sagacidade! Quanto à exterminação da masculinidade ibérica por volta de 2 482 a.C., Steven argumentou que nada poderia argumentar, porque sobre isso nunca algo tentou ficcionar na sua arte, a sétima, e até porque, nessa época, não era com certeza de ibéricos que se poderia falar, mas sim de uma outra qualquer tribo destrambelhada, que nada haveria de ter em comum com os ibéricos, achando inclusive estranho que tal se pudesse argumentar sem explicações mais convincentes e materialmente esclarecedoras do ponto de vista científico.

Quando Luigi regressou ao local de partida, o mágico já tinha falecido, o Faraó já era outro, as três pirâmides já estavam construídas, a sua nave ultraligeira estava absolutamente antiquada, já não conhecia ninguém da nova geração de alienígenas e puseram-no de quarentena. No entanto, Luigi não demorou mais do que uns míseros micro tempos a ir ao futuro e regressar ao passado. Finda a quarentena, Luigi estava envelhecido, muito envelhecido e debilitado, e faleceu de doença súbita no seu tempo presente, na presença dos seus, sendo enviado para o seu planeta para aí repousar para sempre, com honras de primeira classe.

Luís Gil Torga

(Imagens retiradas da net)