Palavra dada (não) é palavra honrada? O dia em que a Geringonça tremeu

 

 

O Orçamento do Estado para 2018 foi aprovado pelo Parlamento, na segunda-feira passada (27-11), com os votos a favor dos partidos da Esquerda e os votos desfavoráveis do PSD e CDS.

Todavia, o “verniz estalou' entre o PS e o Bloco de Esquerda”: o Partido Socialista foi acusado pelos bloquistas de não "honrar a palavra", afirmação contundente e manhosa da marianinha Mortágua.

Mas se, dois anos após a formação da atual solução governativa, os #perplexos# tentavam perceber se o clima de lua de mel da Geringonça se mantinha, as dúvidas parecem ter sido dissipadas no dia que marcou a aprovação do Orçamento para o ano que se avizinha.

Assistiu-se, pois, à primeira grande desavença entre o PS e um dos partidos que suporta o governo do executivo António Costa. Afinal, o Partido Socialista recuava e votaria contra a proposta relativa à contribuição para as empresas produtoras de energias renováveis.

A promessa de uma aprovação já havia sido dada ao Bloco de Esquerda, cujos deputados se manifestaram perplexos com a mudança de posição dos socialistas, sendo, portanto, rígidos nas palavras.

“Palavra dada é palavra honrada”, atirou Mariana Mortágua, que recorreu a uma expressão celebrizada pelo primeiro-ministro, reprovando o “volte face” do PS e admitindo que o sentido de voto do seu partido em relação ao Orçamento só se manteria devido a essa mesma pretensão de “honrar a palavra”.

A deputada que acusou o PS de ceder ao “poder das elétricas” foi, de resto, aplaudida. Miguel Sousa Tavares, comentador da SIC, afirmou, aliás, que a bloquista teve “uma intervenção brilhante e arrasadora”, à terrorista.

Não obstante, o documento que determina como serão feitas as contas de 2018 passou no escrutínio e acabou por ser aprovado. PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV votaram a favor, como, de resto, já toda a gente esperava, ou melhor, sabia.. PSD e CDS votaram contra. O único partido a alterar o sentido de voto foi o PAN, que optou pelo ‘sim’ depois de ver aprovadas algumas das suas reivindicações, aliás, atitude louvada pela assistência e parceiros efectivos da geringonça.

Num posterior comício que marcou os dois anos de Governo, o primeiro-ministro prometeu "continuar a andar" enquanto houver 'estrada' pela frente. "Aqueles que dizem que nós já cumprimos tudo não conhecem o país, porque há tanto e tanto para fazer. Aqueles que dizem que já esgotámos o nosso programa não conhecem a nossa ambição de ir para além do nosso programa", afirmou António Costa, recuperando ainda no seu discurso, em jeito de recado ao Bloco de Esquerda, a tal expressão que o próprio popularizou: "Palavra dada é palavra honrada". Por isso a pança lhe cresce todos os dias. Ou quase todos, porque quando o ae sai, fica mais encolhido que um miúdo no escuro.

Palavra dada, palavra honrada”? Sim, mas não por Costa nem sequazes.

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O Orçamento do Estado para 2018 foi aprovado pelo Parlamento, na segunda-feira passada (27-11), com os votos a favor dos partidos da Esquerda e os votos desfavoráveis do PSD e CDS.

Todavia, o “verniz estalou' entre o PS e o Bloco de Esquerda”: o Partido Socialista foi acusado pelos bloquistas de não "honrar a palavra", afirmação contundente e manhosa da marianinha Mortágua.

Mas se, dois anos após a formação da atual solução governativa, os #perplexos# tentavam perceber se o clima de lua de mel da Geringonça se mantinha, as dúvidas parecem ter sido dissipadas no dia que marcou a aprovação do Orçamento para o ano que se avizinha.

Assistiu-se, pois, à primeira grande desavença entre o PS e um dos partidos que suporta o governo do executivo António Costa. Afinal, o Partido Socialista recuava e votaria contra a proposta relativa à contribuição para as empresas produtoras de energias renováveis.

A promessa de uma aprovação já havia sido dada ao Bloco de Esquerda, cujos deputados se manifestaram perplexos com a mudança de posição dos socialistas, sendo, portanto, rígidos nas palavras.

“Palavra dada é palavra honrada”, atirou Mariana Mortágua, que recorreu a uma expressão celebrizada pelo primeiro-ministro, reprovando o “volte face” do PS e admitindo que o sentido de voto do seu partido em relação ao Orçamento só se manteria devido a essa mesma pretensão de “honrar a palavra”.

A deputada que acusou o PS de ceder ao “poder das elétricas” foi, de resto, aplaudida. Miguel Sousa Tavares, comentador da SIC, afirmou, aliás, que a bloquista teve “uma intervenção brilhante e arrasadora”, à terrorista.

Não obstante, o documento que determina como serão feitas as contas de 2018 passou no escrutínio e acabou por ser aprovado. PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV votaram a favor, como, de resto, já toda a gente esperava, ou melhor, sabia.. PSD e CDS votaram contra. O único partido a alterar o sentido de voto foi o PAN, que optou pelo ‘sim’ depois de ver aprovadas algumas das suas reivindicações, aliás, atitude louvada pela assistência e parceiros efectivos da geringonça.

Num posterior comício que marcou os dois anos de Governo, o primeiro-ministro prometeu "continuar a andar" enquanto houver 'estrada' pela frente. "Aqueles que dizem que nós já cumprimos tudo não conhecem o país, porque há tanto e tanto para fazer. Aqueles que dizem que já esgotámos o nosso programa não conhecem a nossa ambição de ir para além do nosso programa", afirmou António Costa, recuperando ainda no seu discurso, em jeito de recado ao Bloco de Esquerda, a tal expressão que o próprio popularizou: "Palavra dada é palavra honrada". Por isso a pança lhe cresce todos os dias. Ou quase todos, porque quando o ae sai, fica mais encolhido que um miúdo no escuro.

Palavra dada, palavra honrada”? Sim, mas não por Costa nem sequazes.

Imagem de Vasco Gargalo -web