*Se grandes calhaus sobrepostos há muitos séculos são admirados e
respeitados como património cultural. Se aglomerados arquitectónicos de
vários tipos de argamassa foram classificados como património cultural. Se
edificações (sem valor arquitectónico) onde padeceram presos políticos são
considerados e classificados como símbolos históricos. Se, em busca do
papel mais sujo, se entregam tais patrimónios a entidades que não garantem,
nem dão indícios de poder garantir, a conservação e preservação da natureza
desse património classificado. Se as entidades, locais e centrais, não se
preocupam em fiscalizar aquilo que por competências atribuídas devem
fiscalizar. Então, o que nos resta ?*
*Sande Brito Jr*
Em destaque neste Expresso Diário está também um artigo sobre a *antiga
sede do Diário de Notícias*, vendida no ano passado a um fundo de
investimento, que tenciona lá construir 32 apartamentos. O problema, como
conta o Adriano Nobre, é que o edifício, desenhado por Pardal Monteiro e
classificado como Imóvel de Interesse Público,* teve obras ilegais* e “sem
nenhuma qualidade arquitetónica”. Ou seja, para remodelar seja o que
for, o *novo
proprietário terá de corrigir essas obras e salvaguardar vários elementos
originais do prédio.*
*EXPRESSO*
*20/01/2017*