Psitacismo
Psitacismo
Na nossa 4ª classe,da Escola Primária, a Aritmética e a Geometria forneciam-nos, de pronto, para o futuro da grande maioria dos portugueses, os melhores instrumentos de conta para solucionar situações regulares da nossa vida diária e da comunidade.
Para o nosso Professor não podíamos saber as coisas de "cor", antes de bem compreendidas. E tentou fazer uma exemplificação prática, sobre o que era o Psitacismo, coisa que ele não queria para os seus alunos.
Um dia, foi convidado a vir à nossa sala de aula, o Senhor Quinquinhas, que trouxe do Brasil um papagaio que "falava". Após troca de palavras com o seu "bichinho de estimação", o Senhor Quinquinhas deixou-nos a falar" com o papagaio, enquanto falava com o Senhor Professor.
A dado momento, o João Gordinho começou a chorar e a dizer que o papagaio não “palrava”, apenas; também, falava, pensava e era muito mau!
— Porque dizes isso, indagou, o dono.
— Porque eu estava a atirar-lhe à cabeça com uns pauzinhos de giz para ele falar comigo e ele só me disse:
--”Quieto, seu porquinho de loiça"!
Soubemos que o mesmo se passaria, em casa, com um netinho do Sr. Quinquinhas que, na sua ausência, batia na cabeça do papagaio, com um lápis, para ele falar.
O papagaio, ("psítacos", em grego,) ofendera o Joãozinho, menino mau!
O nosso Professor não queria alunos-papagaios; antes, nos exigia que dominássemos bem todos os conhecimentos do programa.
Edgard Panão
