Quem não deve…
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Falámos aqui há uns tempos da deturpação do provérbio “Quem não tem cão caça com gato” que, originariamente era “Quem não tem cão caça como gato”. A diferença é assaz grande, mas nem todos a entendem, pelo que vão perorando a primeira, talvez porque mais fácil de explicar.
Aqui há tempos, houve uma rusga das forças policiais a um acampamento localizado, salvo erro, em terras alentejanas. Aliás, a localização pouco importa, porque podia ser na China, no Japão, em Inglaterra ou em qualquer outro lado em que a língua portuguesa seja conhecida e falada.
Como sempre acontece nestes episódios, há sempre mirones que aguardam a chegada os meios de comunicação de modo a prestarem declarações, debitarem sentenças, e aparecerem nas fotografias dos jornais ou nas imagens dos noticiários.
Ali, não fugiu à regra: uma senhora, possivelmente familiar de alguém, ou alguéns, ao ser interpelada se sabia o que as polícias procuravam ou com medo de que algo proibido – eufemismo de droga e armas - fosse descoberta, com um ar convincente, respondeu. “Oh, não minha, nada disso. Quem não deve não treme”.
Ficámos a pensar e continuamos a fazê-lo. Na verdade, no provérbio não será mesmo melhor começar a dizer treme em vez de teme?
Bom povo, o nosso!
