Quem se mete com advogados…

 

Quem se mete com advogados…

 

O Pereira era um alto funcionário da corte do Rei.

 Há tempos quase infindos, alimentava um desejo incontrolável de beijar os lácteos e voluptuosos seios da Rainha até não poder mais.

 Porque um azar nunca vem só, sempre que o tentou, deu-se mal.

 Um dia em que o desejo superava a necessidade de calar sentimentos e desejos, revelou o seu segredo a Gaio, advogado principal da Corte, e íntimo da família real, e pediu-lhe que fizesse algo para o ajudar.

Gaio, sedentário e solitário para fazer jus ao nome, depois de muito pensar e estudar o assunto, concordou, condicionado Pereira a pagar-lhe mil moedas de ouro.

 Pereira, entendendo que vale mais um gosto que três vinténs, aceitou o acordo, que, para não deixar rasto, não foi passado a escrito.

 No dia seguinte, enquanto a rainha tomava banho, Gaio preparou um líquido que causava comichões e pespegou-o no soutien da Rainha.

Logo, logo, a comichão começou a actuar, aumentando de intensidade a cada minuto, deixando o Rei preocupado e a Rainha exasperada.

 A Corte fazia consultas a médicos, quando Gaio opinou que apenas uma saliva especial, muito especial mesmo, curaria o mal se aplicada durante quatro horas.  

Gaio disse também que, na cidade e nas redondezas, essa saliva só poderia ser encontrada na boca do Pereira, súbdito dedicado à coroa, que, como soía dizer-se, era cego, surdo e mudo, ainda que paralítico não.

Dado o sofrimento da sua doce rainha, Vénus incarnada, o Rei ficou muito feliz, e, de imediato, mandou chamar o Pereira que, durante quatro horas, mais minuto menos minuto, se fartou de gozar, beijando à vontade, deleitado, as suculentas os deliciosos úberes da Rainha: lambendo, mordendo, mordiscando, apertando e passando a mão, Pereira fez, finalmente, o que, na vida, mais desejou.

 Satisfeito, impante, encontrou-se no dia seguinte com o advogado Gaio.

 

Com o seu desejo plenamente realizado e a sua libido satisfeita, Pereira recusou-se a pagar ao advogado Gaio. Na verdade, sabia que, naturalmente e com toda a certeza, Gaio nunca poderia contar o facto ao Rei.

Pereira, contudo, subestimou o advogado: no dia seguinte, Gaio colocou o mesmo líquido nas cuecas do Rei e… o Rei… mandou chamar o Pereira!!!