Sátira

Sátira

 

Na nossa bela casa portuguesa

nem todos comem o que é seu

e quando falta comida à mesa

é sinal que o crédito ardeu.

 

Vivemos todos em harmonia

nesta vil e hostil recessão

porque todos temos a real mania

da boa imagem fazer figurão.

 

Quanto mais nos esforçamos

para os bancos convencer

mais depressa nos afundamos

nas longas prestações a crescer.

 

Com todos os impostos em alta

e os salários sempre a descer

imagino que ao governo só falta

roubar-nos o pão para comer.

 

Os pobres sofrem com razão

desses cortes cuja eficácia

é de lhes roubar da pensão

até os remédios da farmácia.

 

Vermos na troika a culpada

da nossa miséria infeliz

é desculpa esfarrapada

de quem não sabe o que diz!

 

A senhora nunca existiu

para obras de caridade

e se em Portugal investiu

não foi para perdoar a metade.

 

Segundo o primeiro ministro

as dividas são para pagar

mesmo num quadro sinistro

de ver as empresas fechar.

 

Mandarem-nos a todos emigrar

soa a triste e vil provocação

por parte de quem quer governar

sem contudo ter qualquer solução.

 

Portugal deriva incredulamente

que nem um Rabelo no rio Douro

mas com a audácia da nossa gente

um dia até das tripas extrairão ouro.

 

Maria Rita F. Soares

A poetisa das rosas