Sol poente

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Foi numa noite quase de madrugada à luz do sol poente.

Descortinavam-se as velas do navio sobre as ondas de areia voando lá alto no horizonte. A beleza dos raios de sol reflectidos nas dunas do deserto naquele céu límpido sobre o mar revolto onde o silêncio dos trovões fazia tremer a terra, os animais, numa gritaria ensurdecedora conferiam à selva uma calma repousante.

Em contra luz, os camelos caminhavam lentamente tentando esquivar-se nas dunas que o sol queimava, por entre as árvores da floresta fustigada pelos raios da tempestade na noite enluarada.

À medida que o sol se punha, os seus raios reflectidos sobre as águas calmas de um mar revolto sulcado por canoas voadoras recortadas no infinito, embelezavam ainda mais as cores do vasto areal isento de vida.

Tudo fervilhava na calmaria da tempestade que rugia ferozmente por entre a vegetação das areias do mar imenso cheio de nada.

Os seres viventes deste espaço inabitado deleitavam-se com a luz fria do sol, deitados na praia sob o calor abrasador da lua.

Depressa o por do sol deu lugar ao luar que iluminava as primeiras horas da madrugada banhando de luz e calor toda a floresta amazónica sob o calor tórrido do Polo Norte onde o gelo tudo cobria.

A magia das cores enchia de vida o nada que nestas paragens davam vida a tudo.

Aos olhos da personagem que tudo via apesar da cegueira que a surdez lhe trouxera, o chilrear das aves despertava-o para as cores do arco íris sob o calor tórrido daquela manhã de nevoeiro, onde timidamente os raios de sol pediam licença para entrar.

Olhou, viu e ouviu tudo à sua volta. Sentiu um arrepio quando a luz do sol lhe arrefeceu a pele aos primeiros raios da manhã escaldante que se adivinhava. Pressentiu a presença iluminada pelo nascimento da lua, da figura esquiva, própria da espécie a que pertencia diferente da sua somente no sexo.

Ficaram ambos a olhar o por do sol. Ele cego e surdo aos conselhos do futuro. Ela, mirando tudo, ouvindo como se surda fosse, palrando como um papagaio a que ele nada ligava escutando atentamente.

Não sei se por cegueira ou surdez, nos dias em que nas noites frias o sol não brilha, o calor da luz da lua traz-lhe o aconchego nos momentos em que a tempestade lhe molda o espírito e o vulcão desperta cuspindo fogo e lava.

Imagem retirada da net

José Eliseu