Timpanas, o Tóino e a Micas

 

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Homenagem  e  saudade  de  três capitães  da Grande Guerra  de  1914 – 1918

 

 

Desde o dia 9 de Abril que me sinto inquieto devido ao esquecimento que os  iluminados vivos e mortos-vivos do 25 do A que de brilho só têm o fátuo comparado aos luzicus a que na minha terra chamam aos pirilapmpos votaram esta efeméride tão histórica como trágica dessa madrugada de 9 de Abril de 1918 em La Lys em plena Flandres francesa no sector de Ypres em que nas primeiras quatro horas dum total de 32 horas que durou a batalha com intensos e hercúleos combates entre combatentes mal preparados em Tancos num terreno plano e duro sem equipamento apropriado para guerra de trincheiras com ratazanas com lama muitas vezes até à cintura e com máscaras anti-gás que pouco filtravam e para um inverno duro que sempre se faz sentir naquela pantanosa região esfomeados e desnorteados onde as deserções e os suicídios eram o pão nosso de cada dia e   com armas obsoletas 20 000 mil homens heróis combatentes pertencentes à Segunda Divisão do CEP mal dirigidos pelo general Gomes da Costa que viria a chefiar a revolta de 1926 precursora do Estado Novo enfrentaram o 6º exército alemão com uma artilharia de mais de 1 000 canhões distribuídos pelos  60 000 militares bem nutridos mesmo anafados equipados com armamento da última geração e bom fardamento e calçado para aquele teatro de guerra terminou ao fim de pouco mais de quatro horas pois as restantes foram a da limpeza e tiro dito de misericórdia fazerem prisioneiros e acabarem com as pequenas resistências ao longo de 11 kms na testa da linha de defesa lá foram fazer o balanço que redundou em 7 000 mortos e feridos estropiados ou gaseados que foram levados aquele matadouro pelas megalomanias e loucura do lunático e estouvado e anticlericalista Afonso Costa o chamado mata-frades que era o Presidente do Ministério o igualzinho a hoje a que chamam de Primeiro-Ministro e que acumulava a Pasta das Finanças e que como qualquer vilão quando tem o poder revelava as suas intenções castradoras dos princípios da dignidade e da preservação e defesa do povo e vai daí para ser conhecido internacionalmente teve a ideia canalha vil e arrogante de mandar aprisionar os 38 navios mercantes alemães que estavam no porto de Lisboa e mais 34 que estavam ancorados nos portos das Colónias Ultramarinas o que provocou a ira do Kaiser Guilherme II da Alemanha e do Imperador Austro-húngaro Carlos I que entraram como retaliação e se apropriaram de grandes territórios das Colónias Portuguesas e deu o mote para a quadrilha de Afonso Costa mandar para a matança na Flandres a iletrada desgraçada e rural juventude de uma pátria que era governada por estouvados inaptos e  lunáticos políticos que se alimentavam do ódio entre pares e da pobreza de um povo esquecido rude pelas circunstâncias e misérias da vida maioritariamente rural e faminto apenas para ver no terreno o fruto do ego que ia para além das sete colinas com esta conversa da treta desviei-me dos Capitães de La Lys que quero lembrar e homenagear simbolicamente pela sua bravura e sentido do dever pátrio já que quem os mandou nem os vindouros não tiveram  a honra e o dever de os reconhecer na plenitude mas eu não que sou igual a eles que quando mandam só fazem coisa grossa e mal cheirosa e busquei nas minhas memórias mais recônditas os Capitães Alberto Castanheira de Tondela que veio gaseado da Guerra de que ficaram algumas sequelas e vivências que quando ainda eu era garoto e adolescente me descrevia esses horrores e tragédias e actos heróicos e abnegados nas trincheiras e dos horrores passados e os pesadelos do presente que frequentemente se manifestavam assim como as do Capitão António Cardoso que tive a honra de ter como Presidente do Conselho Administrativo no RI 14 de Viseu quando ali prestei parte dos meus 42 meses de serviço militar e que ele Cardosão muito me ensinou da orgânica administrativo/militar que me veio a ser extraordinariamente úteil em mais de 4 décadas da minha vida profissional mas aparte isso gosto de recordar as picardias que ele tinha com o Coronel Faustino Comandante do RI 14 e que tinha sido jogador da Académica de Coimbra mas que era um cágado quando via alguém com patente superior mesmo que fosse só por ser mais velho na patente mas era um déspota e um cãovencido nos imediatamente abaixo e gostava de implicar com o Capitão Cardoso que lhe dizia que no Conselho só ele dava ordens ao mesmo tempo que batia no peito e gritava para o encolhido Faustino da Silva Duarte que os seus galões e as condecorações que lhe foram atribuídos pelos aliados foram ganhos em combate na Guerra de 14 -18 onde recebeu as divisas de sargento e depois as de alferes de tenente e de capitão  e não era como ele que também tinha os mesmos galões e ainda um mais largo mas que os tinha obtido atrás da secretária o que levava o Faustino a ficar enfurecido e a sair do CA com o rabinho entre as pernas e a não chatear mais o velhote que continuava com a sua beata no canto da boca a queimar o bigode branco mas já amarelado e chamuscado naquela zona o que lhe dava menos trabalho a aparar pela manhã e por último o Capitão Amadeu Figueira outro grande herói da campanha da Flandres e que depois da guerra enveredou pela vida civil e mais civilizada área da Contabilidade tendo entre finais de 50 e princípios de 80 foi o Técnico de Contas das empresas de que era sócio e que com ele muito aprendi e com a sua supervisão adaptei o orçamento militar às empresas que na altura não tinham a Contabilidade que ensinavam na Escola Comercial mas a que lhe dei pomposamente a abreviatura de OGE ou seja Orçamento Geral da Empresa que mais tarde o Estado português veio aproveitar aquela sigla para Orçamento Geral do Estado mas que agora se chama apenas de Orçamento de Estado pois ele também encolheu na realidade e apenas esticou no virtual mas estava eu a falar do Capitão Figueira que na época da brasa de 75 chegava sempre eufórico com os noticiários sobretudo com os desmandos do companheiro Vasco do Otelo do Rosa Coutinho do Duran Clemente do Dinis e do Fabião do Ralis e do cata-vento do xico-rolha a que todos os dias fuzilava com os olhos pois olhar para aqueles palhaços dava-lhe náuseas e punha-o desvairado pois eles nada tinham a ver com os valentes que andaram na primeira grande guerra e sendo um anticomunista não deixava de apreciar uma parada do Mao Tsé-Tung ou dos Soviéticos e já com os seus 80 e tal anos gostava de exibir no gabinete uns passos de ganso ou outros exibidos nas grandes paradas marciais que eu e o meu sócio Dr. Pedro Calheiros muito apreciávamos até pelo vigor do velho Capitão que se via recuar ao tempo de garboso oficial do CEP mas depois saía daquelas recordações e íamos trabalhar pois a guerra dele tinha acabado há mais de 50 anos e a minha de 42 meses tinha findado em Outubro de 68 e era necessário continuar a alimentar a máquina para produzir riqueza e dar trabalho para alimentar muitas famílias mas nesses intervalos que fazíamos para relaxar muitas vezes acabávamos por cair naquilo a que se chama de deformação profissional pois as nossas opiniões políticas ou do quotidiano acabavam por ser quase sempre analítico/estatísticas e não por acaso um dia demos por nós a analisar os resultados da Campanha da Flandres com os das 3 frentes de guerra do Ultramar que duraram a média de 12 anos e concluímos o que agora com a historiografia se confirma que em termos bélicos a guerra do Ultramar foi uma brincadeira dispendiosa de meios de vidas e de recursos prolongada no tempo comparada com o que o CEP travou embora a do Ultramar tenha sido uma sugadora de dinheiro e destruição psicológica e traumática e que serviu para alimentar a propaganda do Estado Novo pois ao entrarmos na frieza dos números veremos que houve 7 000 mortos e feridos em La Lys num Destacamento que tinha  20 000 homens numa batalha intensa de 4 horas e com mais 28 horas para acabar com o resto às mãos dos boches mas já nas Campanhas de Angola Moçambique e da Guiné nesses 12 anos com a envolvência de 800 000 militares morreram 4 044 em combate num total de 8 289 mortos sendo que 785 foram em acidentes com armas de fogo e 1 480 em acidentes de viação e 1 989 por “outras causas” que foram acidentes diversos e de caça assim como dos caçados pelo crocodilos e jacarés nos rios onde a rapaziada se divertia e refrescava dos calores mais ou menos secos ou dos mais húmidos e tropicais e por outras razões não desenvolvidas a que se devem somar 30 000 feridos e 14 000 deficientes o que não deixa de ser uma brutalidade que dizimou e brutalizou uma geração mas estatísticas são estatísticas sejam elas o que tenhamos que comparar e estas são fidedignas pois foram colhidas em muitas fontes nomeadamente no Arquivo Histórico Militar e na Associação 25 do A e dessas estatísticas podemos verificar que afinal morreram menos de 50% de militares em combate do que por outras causas mas poderão dizer que se não houvesse essas frentes de guerra elas não tinham acontecido eu até concordo mas se na Campanha de França Portugal não estava a defender coisa nenhuma a não ser a vaidade do Afonsito Costa e do seu Partido Democrático já em Angola Moçambique e Guiné o caso era outro pois enquanto não fosse o que já devia ter sido resolvido há muitos anos com uma pacífica autodeterminação Salazar e Caetano tinham a obrigação pátria de defender o que os seus antepassados tinham colonizado ou achado e enquanto isso não fosse resolvido não podiam deixar para os abutres o que há mais de cinco séculos era solo português e enquanto não houvesse resolução contrária seria crime a deserção ou abandono como aconteceu em Timor onde o Ten-Coronel Magiollo Gouveia foi torturado sacrificado pela Fretilim e como se viu que por causa do 25 do A foi logo entregue a traidores portugueses que venderam tais territórios a novos terroristas pois não se pode chamar nacionalistas a bandidos que subjugam os seus povos e  que tinham estagiado na URSS ou na China e que depois repartiram com a Cuba de Fidel que aproveitaram a estada em Angola para roubarem o que puderem e nem o mármore das campas dos cemitérios escapou e depois do Neto ter tido o azar de acreditar nos camaradas de Moscovo que lhe limparam a sarampo numa operação que para o desgraçado e martirizado povo angolano correu mal mas correu bem para os soviéticos e cubanos e para os outros novos terroristas e depois colocaram o maior soba que se chama Zedu que vem de belzebu mas que agora uns idiotas de uns jornaleiros o chamam dos santos e à sua cria mais nova a princesa que vendia ovos mas que deviam ser diamante e é a mais riquita de África que pilha como ninguém e que até o Ricardo Doce do BES disse que ela era uma grande empresária pois claro isto como as velhas na minha rua que dizem que chamam à outras nomes feios antes que elas os chamem a elas mas esse zedus e os generais de palhota que engordam as casas finórias da Av. da Liberdade e se passeiam em aviões particulares que até lhe dá para irem aos cameleiros de Paris votaram o povo à maior e mais abjecta miséria e escravidão onde a saúde vale menos que uma Luandina e que têm biliões em bancos e dos bancos e no futebol e empresas em todo o mundo e não são capazes de disponibilizar 5 milhões para salvar centenas de milhares de angolanos da febre-           -amarela mas com isto deixei de referir que quando o exército português andou aos tiros em La Lys a sua arma mais poderosa era a Luizinha nome carinhoso que chamavam a uma antiquada metralhadora Lewis de fabrico  americano destinada à infantaria mas que era pesada como o caraças para os infantes que para além do restante equipamento e munições não era fácil carregar com uma arma de13 kg e tinha uma cadência de tiro de 550 tmp munida com enorme carregador de 37 ou 97 munições e um alcance real 100 metros o que quer dizer só dava para a primeira espirradela e era preciso quase colocar o cano encostado ao corpo dos boches para ter força para os abater e depois ficava-se como alvo dos outros boches mas no Ultramar já houve recurso a aviões a tanques a armas mais sofisticadas e muitas granadas para além do escondido napalm mas indo às estatísticas não podemos esquecer que nas equações há um elemento muito importante nas variantes que é o caso de Portugal em 1917/18 ter 5,6 milhões de habitantes e no período das Campanhas do Ultramar a população já era de 8,5 milhões o que mais veio desequilibrar as estatísticas mais o efeito dos mortos e feridos na percentagem da população ainda mais miserável na segunda década do século XX do que nos anos 60 e 70 seguintes mas isso hoje só é lembrado pelos estudiosos ou investigadores mas daqui a uns dias no 25 do A vamos ver o que resta dos valentaços desse ido Abril a botar faladura grossa e a lembrarem que esses heróis devolveram a liberdade ao povo pondo em perigo a própria vida quando na verdade tal evento não tinha acontecido se o Marcelo Caetano rasgasse o Decreto-Lei n.º 353/73 que dava equivalência dos milicianos aos da academia militar e também por mais umas centenas de escudos mensais não tinham feito o golpe da Caldas nem o do 25 A que deixou de ser corporativo para entoucarem embarretarem embustarem mentirem ou outros adjectivos a gosto de cada um como fizeram ao analfabeto povo deste país que em massa aderiu como macaco corre atrás de banana pese embora as oportunidades que muitos patriotas e verdadeiros democratas e outros mais letrados e estudiosos viram em tal golpe como uma plataforma para resolverem a questão do Ultramar e o por fim ao regime autoritário e corporativista que era necessário modernizar e democratizar mas as suas intenções foram logo abafadas na cilada do 28 de Setembro e culminadas com o Companheiro Vasco na sequência do embuste de 11 de Março com as eternas indefinições do xico-rolha o tal Costa Gomes que até salvou o PCP que levou a que tivesse havido um de 25 de Novembro mas não reverteu a loucura da entrega/venda do antigo Ultramar aos interesses dos novos colonos brancos, negros, mestiços, amarelos e mais brancos que por ali e aqui aterraram quais bandos de abutres e de vampiros que continuam ainda a sugar o sangue dos povos mas já me estou a esticar demais e as minhas pilecas já estão a ficar muito nervosas pela falta da fava e dos tremoços e da sua bejeca ruiva da tarde pois elas não sendo vermelhas em politica também não gostam de loiras e só bebem ruivas que tenho que importar da Alemanha ou da Bélgica pois agora neste país quanto mais mentalidade e neurónios de pileca se tem mais pomposos ignaros e eruditos se tornam e até chegam aos mais altos píncaros do poder e alguns até às prisões e por isso por aqui me fico.

 

Timpanas

 

(José de Sousa Pais)

       2018.04.13