VINDIMAS

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PORQUE VEM AÍ O TEMPO DAS VINDIMAS, É TEMPO DE RECORDAR AS PALAVRAS DO MESTRE DE NÓS TODOS:

“A vindima, na quinta da Travanca, principiava mais cedo do que na aldeia. Do meio de Setembro em diante, naquele sítio cálido, pediam as uvas que as vindimassem. Tinham receio de apodrecer ou secar. Preferiam o corte, como se antegozassem o glorioso destino do seu suco desde que é mosto até que se faz vinho dentro dos tonéis e néctar num cálice. Antes esmagadas do que apodrecidas ou encarquilhadas.

Entretanto, as uvas de lugares mais cimeiros, isto é, as uvas da aldeia e arredores, o que pediam é que as deixassem amadurecer. Sabia-lhes bem o sol colorido e caricioso das primeiras semanas do outono. Precisavam dele para “apurar”… Tinham a pele ainda grossa e o sumo ácido. Esperassem que a sua bondade e a sua beleza fizessem esquecer a aristocracia de cachos que ouvem todo o ano o trágico ranger da espadela dos velhos barcos rabelos.”

Esmeralda Maria Botto Antas

(João de Araújo Correia, in CASA PATERNA)

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