Vitória


Vozes mudas ecoaram nas vestes negras do mundo
Gritos surdos pairaram nas mudas mãos crispadas
Entre a surdez e a mudez de quem se esgotara na sede
Ausente
Ao encontro do que outrora fora dono de seu nome
Fitara nela toda a força da terra e nos pés os caminhos
Não ousara romper numa incrédula madrugada
Fora mulher
Fora senhora
Fora escrava
Libertara seus medos das peles negras e molhadas
No sangue do estio
Passara fome
Passara frio
Largara suas palavras aos ventos do norte
Perdida
Encontrara seus entes num abraço vazio
Fora ela
Foram elas
Cravadas na história
Morrendo sem glória
De batalhas possantes
Gritara Vitória!

Sofia Geirinhas (Poetisa do pé-descalço)