VOTAR EM CONIVENTES ?

  •  VOTAR EM CONIVENTES ? 

*Quero crer que nem todos serão corruptos, pelo menos conscientemente. Sim,
porque, de facto, há os que lá chegam por ingenuidade, formação moldada ou
falta de qi mínimo. Mas que todos são coniventes, lá isso são. E os que lá
chegaram com ingenuidade, formação moldada ou falta de qi mínimo, foram lá
postos por isso mesmo.*

*Votar neles é, também, ser conivente!*

*E a simpatia da distribuição de afectos, por vezes porta a porta, com o
fim primeiro e último de manter esta estabilidade - mesmo correndo o risco
de, por contágio, sobrecarregar o SNS - é mais conivência.*

*Que sei eu? além do que vejo no quotidiano? com o meu qi minúsculo?*

*A solução deve ser encontrada pela constelação de estrelas que comentam,
de cátedra, o político, o social, o económico, o financeiro e os múltiplos
conceitos de justiça. Isto, se não estiverem já a fazê-lo, por conivência!*

*Entretanto, sem dignidade alguma os ditos "legitimados" representantes,
utilizam fogos de artifício com que tentam distrair os distraídos,
presumindo dar prioridade à dignidade depois, nunca concedendo prioridade à
dignidade durante.*

*Sande Brito Jr*

*Os sublinhados fiz eu.*

A Clara refere-se ao que venho dizendo há muito tempo: qualquer sociedade
organizada deve dispor de meios que permitam à população o controle dos
actos políticos e do funcionamento das instituições. Mas a apologia que ela
faz para o conseguirmos, através do voto, não parece razoável, pois quem
vota PS, não vai votar PSD ou PCP; mas, ainda que votasse, *todos os
partidos concorrentes estão harmonizados nesta corruptela, à custa da qual
têm vivido, e que pretendem perpetuar pela sucessiva renovação do sistema
através dos actos eleitorais, que lhes "dão" a "legitimidade" de que se
arrogam frequentemente*. Isto é, através dessa alegada "legitimidade", os
políticos legislam contra as promessas que fizeram, e contra os interesses
dos eleitores.
Mas o pior de tudo é a realidade que a maioria desconhece:
Pela adesão à UE, e pelos sucessivos empréstimos a que tem recorrido,
Portugal ficou sujeito a um sistema de quotas de produção que o perpetuam
na condição de dependência; também é dependente das normas emanadas da UE,
muitas delas contra o interesse nacional, como a liberdade de circulação de
pessoas e bens, que tem permitido a exportação de capitais para paraísos
fiscais, o que compromete o investimento local, e a necessária produção de
riqueza; e a venda do melhor património empresarial-público, como fonte de
receita para pagamento de juros ou amortização de dívidas ao exterior.
Outro aspecto paradoxal desta relação dos portugueses com os governos, é
que a dívida pública não pára de crescer, e durante o ano de 2016, cresceu
nove biliões e quinhentos milhões de euros, que adicionados às restantes
dívidas, que em Junho passado ultrapassaram os setecentos biliões de euros,
deixam-nos completamente impotentes para iniciativas produtoras de riqueza,
situação agravada pela constante exportação de capitais parqueados em
paraísos fiscais, que em 2012 já tinham atingido os 75 mil milhões de
euros. E não me refiro aos famosos Montes Brancos, que não sabemos
contabilizar.
*A corrupção tem presidido ao legislador que estabelece tantas
cumplicidades e canais de empobrecimento nacional.*
Com a eleição de Marcelo, um tipo indiscutivelmente simpático, houve quem
admitisse alguma ordem cá no burgo, mas à parte os consensos, as pontes e
os afectos, ainda não bateu o pé, tanto ao Governo, como ao
Parlamento, *naturalmente,
porque os interesses de Marcelo estão mais próximos dos políticos e
empresários, do que do povo trabalhador.*
E é verdade, quando a Clara afirma que o País está na penúria, ao que eu
acrescento, só beneficiarei do pagamento da pensão, enquanto o Poder Oculto
continuar a financiar-nos. Leram aquele outro mail sobre a corridela dada
ao anterior presidente da CGD? É muito explicito.
JD