Fado de Coimbra - Maravilha Cultural de Portugal

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É comum associar-se e comparar o Fado de Coimbra com o de Lisboa, mas tal comparação não podia estar mais distante, tanto na forma como na origem.

Temos por carta d'El Rei D. João III, datada de 1539, que urge ao então Reitor medidas para pôr fim às cantorias dos Estudantes que perduravam até altas horas e eram motivo de queixa dos habitantes. Mas estas cantorias não se limitavam aos serenatios e romantismos que hoje conhecemos e imaginamos. Eram pois cantigas e danças populares que ocorriam à volta das Fogueiras de S. João, eram canções de trabalho trazidas do campo, composições aristocráticas, trovas eruditas, canções de embalar e outras de amar.

Toda a existência medieval Coimbrã foi pautada pela peculiar convivência entre dois meios bastante distintos: O popular e o Académico. E foi neste ecossistema social quasi-único na Europa, nas ruas desta verdadeira Athenas Lusitana, que os cantares populares se misturaram com os eruditos e formaram a raiz da Canção Coimbrã que ainda hoje perdura.

Um Canto que se desenvolveu no quotidiano entre camponeses e citadinos muitos antes deste sequer ser referido como "fado" e que contrasta com as Casas de Fado de Lisboa que de pouco dizem a Coimbra. Só em meados do séc. XIX é que começam a aparecer "fados" de autoria, que nada mais eram do que cantigas populares que tanto Estudantes, Futrica e Tricanas partilhavam. Estes "fados" eram cantados em Récitas e Saraus e eram acompanhados por guitarras, violas de arame, violinos e também flautas. Cerca de um século mais tarde, o imaginário estudantil adopta uma vertente contestatária e assim o acompanha o Fado, que se sublimou enquanto grito de contestação.

Hoje em dia a Canção Coimbrã permanece viva e presente e conta com o alto patrono dos vários grupos da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, maior escola de Canto e Guitarra de Coimbra.

A todas as gerações que engrandeceram e potenciaram esta Maravilha Cultural o Conselho de Veteranos dedica um ????????????!

"Então com toda a cagança, toda a pujança e com todo o espírito Académico aqui vai um...  

 Imagem retirada da net


 


 

Ecos de Coimbra

3 de julho de 2020