REINVENTAR A CONFISSÃO

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Num momento em que a Igreja Católica enfrenta críticas e uma crescente perda de confiança por parte de alguns fiéis, o bispo de Coimbra apresenta uma nova forma de compreender o sacramento da confissão e defende-o como um espaço de cura espiritual e não como um julgamento.

Numa mensagem divulgada nas redes sociais da Diocese de Coimbra, no contexto da iniciativa internacional “24 Horas para o Senhor”, D. Virgílio Antunes afirmou que a confissão não deve ser vista como um tribunal, nem como uma obrigação motivada pelo medo. Segundo o bispo, a confissão ou o sacramento da reconciliação, deve representar uma oportunidade de transformação interior e de reconstrução da relação com Deus e com os outros. «O pecado não é apenas uma mancha que se limpa, é uma ferida que precisa de ser curada», afirmou.

Na reflexão enviada à Agência Ecclesia, o bispo explicou que muitas vezes a confissão é encarada de forma negativa ou distorcida. «Muitas vezes a confissão é vista como uma obrigação, com sentimento de medo ou a partir de ideias estranhas: O padre não tem nada que saber dos meus pecados, é a libertação da alma, só me confesso a Deus. Mas a reconciliação não é um tribunal nem é um mero descargo de consciência. É a resposta à pergunta fundamental: como lidar com a minha imperfeição, como lidar com o meu pecado», assinalou D. Virgílio Antunes.

Explica ainda que muitas pessoas associam a confissão a sentimentos de vergonha ou receio, ou questionam o papel do sacerdote neste processo. Para D. Virgílio Antunes, essa visão altera o verdadeiro significado do sacramento. «No contexto cristão, o pecado é simplesmente o contrário de amar. É uma rutura com Deus, com os outros e connosco próprios», referiu, acrescentando que a confissão só faz sentido quando existe uma vontade real de mudança pessoal.

O Bispo destacou que o sacerdote não é o “dono do perdão”, mas apenas um servidor que acolhe os fiéis em nome de Cristo e os acompanha no caminho de reconciliação e de cura interior. A mensagem recorda também as palavras do Papa Francisco, que defende uma atitude de maior acolhimento por parte dos confessores. Segundo o Papa, o confessionário não deve ser visto como “uma câmara de tortura”, mas sim como um espaço de misericórdia, consolação e incentivo à conversão.

Além desta reflexão sobre a confissão, D. Virgílio Antunes procura transmitir uma visão da religião mais próxima das pessoas e da realidade social. O bispo tem incentivado uma vivência da fé que ultrapassa os limites físicos da igreja, de forma a estar presente no dia a dia da comunidade.

Na sua mensagem de Quaresma, publicada no “Correio de Coimbra”, sublinha a importância de viver a espiritualidade cristã como um caminho de fraternidade e partilha entre todos. Incentiva também à prática da “lectio divina”, uma leitura orante da Bíblia e defende que a espiritualidade cristã não se baseia apenas em ideias humanas, mas na Sagrada Escritura que, segundo o próprio, “aquece o coração”.

Apela ainda a uma fé que se traduza em ações concretas na sociedade e incentiva os fieis a promover a justiça em favor dos mais pobres, a dialogar com quem não partilha da mesma fé e a assumir um compromisso social e político pela paz.

Num contexto em que a Igreja procura recuperar a confiança de parte da sociedade, esta abordagem por parte do Bispo mostra uma tentativa de aproximar a Igreja das pessoas e das novas gerações. Ao apresentar a confissão como um espaço de cura, diálogo e transformação interior, o bispo de Coimbra propõe uma visão da religião mais aberta, centrada na misericórdia e na relação direta com a comunidade. Independentemente de se acreditar que estas sejam palavras para cumprir ou não, revelam ações importantes na Igreja, feitas em Coimbra.

Isis
27/03/2026