ILITERACIA COMO UM DOS MAIORES INIMIGOS DA DEMOCRACIA

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A proibição do uso de telemóveis e Internet nas escolas levanta questões sobre a reação de jovens que, desde a infância, se tornaram dependentes dessas tecnologias. Muitos alunos, habituados a uma rotina onde o digital é omnipresente, podem sentir-se perdidos e até revoltados com esta mudança. O choque pode ser significativo, uma vez que a acessibilidade constante às redes sociais e a conteúdos superficiais obscureceu a prática da leitura e da interpretação crítica.

A iliteracia em Portugal é uma realidade preocupante, especialmente nas escolas primárias e secundárias. Cada vez mais, ouvimos em podcasts sobre a alarmante incapacidade de muitos jovens em ler e interpretar textos simples, o que compromete não apenas o seu desenvolvimento cognitivo, mas também a sua cidadania. A falta de literacia não é apenas uma questão académica; é um problema que afeta diretamente a capacidade de entender e interagir com o mundo.

Um fator essencial que contribui para esta crise é a desvalorização da profissão docente. Os professores, que deveriam ser respeitados como pilares da formação dos cidadãos, têm enfrentado desvalorização social e cortes orçamentais que afetam de forma profunda a qualidade do ensino. A falta de reconhecimento e condições de trabalho adequadas, somadas a salários insuficientes, têm levado muitos educadores a abandonar a profissão, especialmente no sul de Portugal, onde a escassez de professores é ainda mais evidente.

Essas condições adversas não só desmotivam os profissionais da educação, mas também prejudicam o sucesso dos alunos. O afastamento de professores qualificados resulta numa educação que não prepara os jovens para os desafios do mundo contemporâneo. E, enquanto isso, a presença constante de dispositivos móveis nas salas de aula agrava a situação. Embora possam ser ferramentas potentes de aprendizagem, muitas vezes transformam-se em fontes de distração, levando os alunos a um estado de superficialidade. O acesso fácil a conteúdos de entretenimento e redes sociais desvia a atenção das atividades que realmente importam.

Para inverter esta tendência, é crucial implementar estratégias concretas que envolvam todos os agentes educativos e a sociedade. A valorização da profissão docente deve ser uma prioridade inegociável. Salários dignos, formação contínua e reconhecimento social são fundamentais para atrair e reter talentos na educação. Professores motivados e respeitados são essenciais para inspirar o gosto pela leitura e pela aprendizagem.

Além disso, é imperativo diversificar o currículo nas escolas. A introdução de experiências de leitura significativas, desde a infância até o ensino secundário, pode ajudar a cultivar um ambiente onde a literacia é valorizada. Projetos que incentivem o prazer pela leitura, como clubes de leitura e visitas a bibliotecas, são essenciais para criar uma cultura de apreço pelo livro e pela interpretação de textos.

Estabelecer regras claras sobre o uso de tecnologia nas escolas também é crucial. A implementação de programas que promovam o uso responsável dos dispositivos móveis pode ajudar a criar um ambiente de aprendizagem mais produtivo. A fiscalização e a promoção de uma cultura de respeito pelo espaço escolar são passos importantes para garantir que a tecnologia seja uma aliada e não um obstáculo ao aprendizado.

A luta contra a iliteracia em Portugal deve ser encarada como uma prioridade nacional. A resolução deste problema exige um compromisso firme de todos os setores envolvidos na educação, desde o governo até às famílias. É vital que a sociedade se una para garantir que as futuras gerações adquiram um nível de literacia suficiente para interpretar o mundo que as rodeia e exercer a sua cidadania de forma plena. Incentivar os jovens a investir em livros, a frequentar bibliotecas e a redescobrir o prazer da leitura não é apenas desejável, é uma necessidade urgente. Juntos, podemos ajudar os nossos professores a melhorar as suas condições de vida e de trabalho, preparando uma sociedade mais crítica, informada e capaz de enfrentar os desafios do futuro.

M. Jones