O que nunca nos contaram.... (Nem o Mattoso)

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Principais acontecimentos depois do dia 5 de Outubro de 1910

“O Regabofe” 

 

Os dez anos seguintes foram caracterizados como um período de grandes agitações e convulsões sociais. Os Republicanos defrontam-se, em lutas internas pelo poder, dando origem a duas grandes correntes republicanas – uma, de inspiração socialista, defendendo reformas radicais na estrutura política de Portugal; a outra, moderada, procurava a adequação das expectativas de outras nações europeias, como objetivo de conquistar o reconhecimento da nova conjuntura política do País.

Em Fevereiro de 1912, António José de Almeida fundava o Partido Evolucionista e, dois dias depois, Brito Camacho fundava a União Republicana. A República que se seguiu ao desmembramento do PRP não evoluiu para o bipartidarismo, como outrora o rotativismo parlamentar monárquico, em vez disso, prevaleceu o multipartidarismo, dominando o Partido Democrático. A partir daqui a sucessiva saga de governos não ia parar: o 1º governo constitucional de JoãoPinheiro Chagas pouco mais durou que dois meses. Aliás, os governos caem constantemente e o cenário político português, desse período, foi marcado por uma grande instabilidade política, tornando-se Portugal como o País mais instável, da Europa.

Esta foi a tónica dominante durante os 16 anos da I República e, nesta época.

Sucederam-se: 7 Parlamentos, 8 Presidentes da República, 46 governos, com dois períodos de ditadura (1915 e 1917-1918) e diferentes mudanças de ministros.“

68 Ministros da Fazenda/ Finanças (1910-1926), 19 Ministros do Fomento (1910-1917), 41 Ministros de Trabalho (1916-1925), 22 Ministros do Comércio (1917-1921), 47 Ministros da Agricultura (1918-1926), 6 Ministros de Abastecimento (1918-1919), 3 Ministros de Subsistência e Transporte (1918), 22 Ministros do Comércio e Comunicações (1921-1926).

Foi uma fase caracterizada por um anticlericalismo radical, cujos símbolos maiores foram a abolição do ensino religioso nas escolas, em 1910, e a lei que instaurava a separação da Igreja e do Estado português. Tal instabilidade política originou uma gestão extremamente deficiente, que dilatou a dívida externa de Portugal, e fez aumentar o custo de vida cerca de trinta vezes entre os anos de 1914 a 1925.

Enquanto os consecutivos governos continuam a luta pelo poder, instala-se uma profunda crise económica que afeta a população e origina lutas do operariado português, que demora em ver chegar as tão proclamadas reformas sociais económicas. O povo passa fome, porque não possui dinheiro para adquirir os bens essenciais (quando os há!), pois, e de acordo com o Anuário Estatístico de Portugal, o custo de vida sobe 192,7%, entre 1914 e 1918.

No “Verão Quente” de 1917, os trabalhadores, desesperados com fome, assaltam os armazéns, lojas, onde os açambarcadores faziam os géneros esperar uma nova alta de preços e, com as restantes classes desapossadas e desesperadas da sociedade portuguesa, que viviam em comum o flagelo da subsistência.

 Foi neste contexto que surgiram os “novos-ricos”, que fizeram as suas fortunas assentes em “negócios pouco claros”, especulando os preços, nomeadamente, dos géneros alimentícios. A revolta das populações era de tal forma violenta que a repressão era desmesurada e, em diversas ocasiões, o estado de sítio foi declarado, com recolher obrigatório. Ao longo da década, iniciada em 1910, muitas centenas de pessoas foram presas e, é neste ambiente de “guerrilha”, que a população portuguesa vive o seu dia-a-dia.

Até à ditadura…

António Olayo