Aldeia do Carvalho animou a Baixa de Coimbra

ALDEIA VELHA 1

 

Um viva para o grupo de folclore da aldeia do Carvalho, terras de Poiares, que no sábado passado, enquanto decorria a feira de artesanato urbano nesta cidade, encheu a Praça Velha duma alegria contagiante ao sabor da música e das danças e cantares daquele grupo, que desta forma procura vivenciar as tradições, usos e costumes da sua região. O espaço defronte da Igreja de S. Tiago estava cheio de gente, com muitos turistas, que contemplavam os trajos tradicionais, na sua maioria, de trabalho, com os respectivos utensílios, a tocata, as danças e as cantigas de quem ali, com alma, trazia a sua identidade. Uma manhã diferente, onde pontuou uma mostra autêntica da nossa cultura tradicional popular. Depois, a afabilidade, a empatia e a dinâmica dos seus componentes, que contagiavam a aproximação até eles ao convidarem o público a entrar na roda e a dançar e cantar conjuntamente as suas modas. Digno de mencionar! Entretanto, à nossa beira, alguém perguntou onde ficava aquela aldeia, e logo a resposta chegou de dentro, com uma voz que traduzia mágoa: - Somos daquela terra que fica no sopé da serra do Carvalho onde, no dia 1 de Julho de 1955, fez agora setenta anos, oito aviões, dos doze que faziam parte da esquadrilha, se despenharam, tendo morrido os seus pilotos. Foi o maior acidente da Força Aérea Portuguesa e um dos maiores a nível mundial, e todos os anos, aqueles que partiram são ali recordados com mágoa e veneração. Sendo muita a informação precisa e disponível sobre o assunto, não caberá aqui volver ao seu conteúdo. Ainda assim damos conta do testemunho de João Ferreira, que era natural de um pequeno lugar chamado Risca Silva e quando aconteceu o embate dos aviões, tinha então nove anos, andava por perto a apascentar um rebanho de cabras. Lembra ele que o estrondo foi tal que andou escondido até saber o que tinha acontecido. Houve mesmo quem falasse num milagre pelo facto de uma mulher, que andava a apanhar uns gravetos num pinhal, não ter sido atingida por nenhum destroço dos aviões, dos milhentos que caíram à sua volta. Segundo ele, já se falava em santa, mas a coisa não pegou!
A tocata preparava-se agora para sair do terreiro, enquanto os componentes do grupo agarravam de volta os apetrechos que haviam posto de lado para poderem dançar. E acenavam em tom de despedida, enquanto ouviam os aplausos de quem lhes reconhecera o mérito!


António Castelo Branco