Os "velhos" são descartáveis?

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O tratamento que à conta da Covid tem estado a ser dado aos nossos velhos é indesculpável.

Imaginem que um(a) idoso(a), com cerca de 90 anos, que sempre viveu com a família, entra num hospital porque partiu uma perna. Depois de duas ou três semanas, é finalmente operado mas, durante a convalescença e ainda no hospital, apanha Covid.

Mais um mês de internamento, até recuoerar. Nestes dois meses apenas por uma vez lhe foi permitido ter uma visita. No seu espírito, embora a família telefone todos os dias, foi abandonado.

Quando teve alta, foi colocado em Cuidados Continuados a 80 km de casa, tendo a família sido informada que iria para aquele sítio, quando já lá estava. Mais uma reclusão pois as visitas não eram permitidas. Transferido, algum tempo depois, para Coimbra, embora estando mais próximo, continuou sem visitas. Ao fim de 100 dias deste novo "abandono", faleceu sem nunca ter percebido porque motivos foi "abandonado" pela família, que foi impedida de o ver, mas telefonava todos os dias, às vezes por vídeo chamada.

A geração que estava na pujança da vida no 25 de abril de 1974, em que reside parte da memória deste país, está a morrer sozinha e abandonada, por uma política cega que não vê pessoas, mas simples números de utentes, de beneficiários, seja lá o que essas palavras signifiquem.

Este país não é para velhos, está visto.

A falta de compaixão há de matar-nos a todos, entretidos que andamos a fechar velhos para não morrerem com Covid, matando-os com a solidão.

(Imagem retirada da net)