Capitã, capitoa ou capitão?

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Numa entrevista o DC – “do calino”, dirão uns; “Diário  de Coimbra”, contraporão outros - Lígia Santos, oficial da GNR, puxou dos seus galões e deu dalgumas informações que me fizeram regressar, “in mente”, aos meus tempos da juventude

Pego, apenas em duas afirmaçõezinhas..

Na primeira, diz ela, “No meu curso, em 120 éramos 10 senhoras”. Porreiro, pensei eu, no meu curso da Escola doi Magistério, em 80 alunos admitidos , 12 éramos rapazes com pretensões a senhores.

Pela primeira vez me coloquei no centro da tabela: como no curso anterior havia reprovado um aluno, passámos a 13. Na classificação final do curso, 6 tiveram melhor nota que eu e 6 tiveram pior. A minha foi única” entre a gajada. Foi a segunda vez – a primeira havia sido no Liceu - que senti o ferrão da injustiça, vinda de onde não esperava que viesse: fiz o relatório de estágio e o meu colega copiou-o, e, depois fez “correr” que eu é que o havia copiado por ele…

Tramei-me: por um valor não me consegui matricular 2m “Pedagógicas” na Universidade; talvez, quem sabe, um bem…

Numa caixinha do texto, Lígia Santos afirma-se, e eu concordo com ela,  “capitão” e não capitã”, pois não existem postos femininos, o que evita qualquer tipo de discriminação. Fico é sem saber como é que os subordinados a tratam, se minha capitão, se por dona capitão ou, dada a foto, por boazona.

Retornaram-me os pensamentos aos anos especiais do pós-liceu. Vivia na minha rua – minha e deles – um casal bem conhecido na cidade, que tinha um filho e uma filha a frequentar a universidade, qualquer deles a destacar-se pelo tamanho, e o rapaz ainda por entrar nas paródias académicas. Hospedada na casa, havia uma jovem, linda e elegante, que punha a um canto qualquer um dos actuais modelos nacionais: alta para época, rosto lindo, olhos deslumbrantes, cintura finíssima, nádegas a condizer, um “pernambuco” de se lhe tirar o chapéu – passavam sem qualquer hesitação em Guimarães – enfim, um sonho de mulher.

Sabendo-se desejada, e de que maneira, olhava com sobranceria os poucos machos e machões que se tentavam aproximar. Para mim, um pobretanas escanzelado amigo lá da casa dos hospedeiros, permitia-se, de vez em quando, lançar um daqueles sorrisinhos de comiseração.

Era…

Muita gente só passava a Porta Férrea depois de ela entrar. Frequentava, nos tempos em que os cursos eram de cinco anos, o segundo da Faculdade de Direito, quando a praxe catalogava os estudantes em caloiros, semiputos, putos, quartanistas, quintanistas e veteranos.

Aconteceu…

Num dia em que ia com algum atraso em relação ao seu horário habitual, com o quarto de hora académico quase a expirar – ou a espirrar – caminhava a passo espevitado, olhos fixos na entrada, quando um “malandreco” corajoso lhe perguntou, de modo bem audível pelos amigalhaços:

- “doutora, o que é pela praxe”?

Olhando-o de alto a baixo e de baixo a alto, com um olhar dos que não acariciam respondeu-lhe:

- “ Semiputo, com muita honra”!

E continuou o caminho, gozando interiormente, enquanto o “atrevido” sofria chacotas a torto e a direito

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