CORTAR ÁRVORES É REDUZIR A SAÚDE DOS HABITANTES

1 CORTAR ARVORES E REDUZIR A SAUDE DOS HABITANTES1

 

Cortar árvores numa cidade é, também, cortar anos de vida e reduzir a qualidade de vida dos seus habitantes. Segundo um estudo da equipa de cientistas (de Kim et al., na revista Science Advances, em 2023) mostrando que as pessoas que viviam rodeadas de árvores apresentavam uma idade biológica mais jovem. Esta medida baseia-se na metilação do DNA, que está associada a doenças e mortalidade precoce. De uma forma simples: estar próximo de árvores e espaços verdes não só faz bem, como atrasa biologicamente o envelhecimento.

Em Coimbra, o corte já vem desde 2011, quando o anterior Presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, deu autorização para o abate de 56 árvores frondosas no separador da Emídio Navarro, com o argumento que as árvores estavam doentes. Isto segundo um estudo mandado realizar pelo executivo anterior a Manuel Machado. A questão de se fazerem podas corretas às árvores nunca foi levantada, nem foi levantada a possibilidade de transplante das árvores, optando-se pela medida mais rápida: o abate.

Sendo ou não por razões fitossanitárias o certo é que o corte de grandes árvores no separador da avenida Emídio Navarro serviram muito bem o fim de se fazer a linha do MetroBus. Enquanto existiu o separador, em frente ao Jardim Manuel Braga, nunca mais foram plantadas árvores o que prova que o corte das 56 árvores ajudou ao traçado do MetroBus onde as “doenças destas árvores” foram providenciais ao traçado da MetroBus.

No atual governo autárquico, liderado por José Manuel Silva, médico, ainda mandaram cortar mais árvores na avenida Emídio Navarro. Aumentando o número de grandes árvores cortadas. Sendo prática comum, entre os executivos municipais, a continuidade de ajudar a reduzir os anos de vida e a qualidade de vida dos habitantes de Coimbra, segundo o estudo de Kim et al., na revista Science Advances, em 2023.

Na qualidade de médico e presidente da Câmara Municipal de Coimbra, alega que o abate é necessário para a implantação do sistema de transporte e que as árvores são incompatíveis com o traçado do MetroBus, tendo algumas árvores sido "condenadas" por razões de saúde das plantas desde 2013. Desconhecendo-se se o médico, que também é presidente da Câmara de Coimbra, tem ou não conhecimento sobre o estudo que, baseado na metilação do DNA, que está associada a doenças e mortalidade precoce. Alegadamente desconhece que a natureza em contexto urbano é particularmente restauradora, já que proporciona um descanso da atenção direta e forçada que a vida moderna e os ambientes urbanos exigem cada vez mais.

Segundo o que apurou O Ponney, a contagem de grandes árvores cortadas, só no perímetro urbano, já ultrapassou as mil grandes árvores que a cidade de Coimbra deixou de ter. O vereador com o pelouro dos espaços verdes (e atual candidato à Câmara de Coimbra pela CDU), Francisco Queirós, diz desconhecer o corte das árvores. Alega esta informação em contexto de reuniões partidárias do Partido Comunista Português e o Partido Ecologista Os Verdes ( que formam a coligação CDU), publicamente abstém-se de falar deste assunto.

Apesar dos artigos de opinião, muito bem escritos, por socialistas e por comunistas que pedem para parar o abate das árvores, mas que se tinham calado no tempo em que o executivo camarário PS/CDU tinha iniciado o corte das árvores, nada parece impedir o corte das árvores em Coimbra.

Perante a falta de coerência entre os discursos enquanto oposição e as ações enquanto poder autárquico, Manuel Silva, explica-se quando numa fotografia, antes de se tornar presidente da CMC, estava junto de uma grande árvore e prometia a defesa das grandes árvores em Coimbra. A explicação dada por José Manuel Silva é que:
«A árvore retratada na fotografia não é nenhuma das árvores que agora foram cortadas por se encontrarem no canal do futuro 'MetroBus', a árvore da fotografia é uma árvore localizada na freguesia da Lamarosa, um verdadeiro 'gigante verde', por se encontrar em meio rural e não em meio urbano, onde as árvores se desenvolvem com mais dificuldade e têm um ciclo de vida mais curto. A nossa determinação é que o futuro seja mais verde do que o presente, razão pela qual vamos criar na Câmara Municipal de Coimbra, porque não existia, um Departamento de Ambiente e Sustentabilidade. As árvores urbanas são essenciais para uma cidade saudável, razão pela qual vamos plantar mais do triplo das que forem cortadas.» Considerando, o atual presidente da Câmara de Coimbra, que na cidade o ciclo de vida das árvores é mais curto e por isso a justificação do abate de árvores com grande longevidade.

Entre 2021 e 2024, a Câmara Municipal de Coimbra plantou 4.282 pequenas árvores no Concelho e mandou cortar mais de 1.000 grandes árvores. Nem todas as mais de quatro mil pequenas árvores vão conseguir sobreviver pela falta de cuidados oferecidos pela CMC para a sua manutenção. O caso flagrante é que estão a ser regadas por apoio a veículos com reservatório de água, árvore a árvore e algumas destas pequenas árvores já estão secas. Temos que considerar que, no mínimo, demoram mais de uma década até se tornarem árvores com o porte das mil grandes árvores abatidas. Pela falta de gestão do espaço verde urbano a verdade é que poucas árvores, das 4.282 pequenas árvores, vão conseguir resistir.

Também há que considerar que em quatro anos, depois de ter assumido o poder autárquico, deste executivo liderado por José Manuel Silva, falta:
1-Explicar de maneira a que todos entendam porque se cortam as árvores em diversos pontos da cidade. Porque se usa este último recurso que é o corte? Será que não há mais nenhuma solução?
2-Explicar para onde vai toda a madeira de cerca de 1000 árvores de grande tamanho. Quem fica com a madeira? Para onde vai essa cara matéria prima?
3-A promessa de plantar 3 árvores por cada árvore cortada quer dizer que vai plantar pequenos rebentos ou vai plantar árvores adultas e saudáveis? Não seria melhor preservar as que existem?
4-Porque não se questiona o transplante das árvores em vez de se fazer logo o corte? A saúde pública não merece o preço do transplante das árvores?

São estas 4 perguntas que, por não terem resposta do executivo, obrigam a uma manifestação para que haja mais gente solidária em relação a uma questão que é ambiental. Uma das questões tão caras neste século XXI, mas que não são discutidas como o caso de deixar as ervas crescerem em espaço público ou o uso de uma “bomba química” que elimina toda a vida em redor.

JAG
29-08-2025