Gorro académico, do estudante de Coimbra

gorro-academico.jpg
«GORRO - Cobertura da cabeça, feita de pano preto e de forma cónica, usada
pelos estudantes de Coimbra, com a capa e batina, desde que, em 1674, foi
proibido o uso do chapéu. Geralmente, caia até ao ombro, como pode ver-se
numa fotografia do capigorrão Antônio Nobre. Alguns estudantes usavam-no
para guardar sebentas e outro material escolar.
Em 1824, o Reitor da Universidade, Diogo Furtado de Mendonça, fez publicar
um edita mandando acrescentar as batinas, que eram muito curtas, e proibir o
uso da gravata e colarinhos (batinas fechadas). O, então, estudante de
Medicina, Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara escreveu a propósito, o seguinte
soneto :

Agora, sim senhor, viva a batina
Que cobre o rabistel aos estudantes!
Agora, sim senhor! Batinas dantes
Eram saiotes feitos a sarina...

Te Deum laudamus, sim! Lei tão divina
Deve ser festejada com descantes .
Em Coimbra, Paris, Londres e Nantes
Na Arábia, Pérsia, Argel, Meca e Medina.

Os cabelos também, à inglesissima
Supri-los era bom, em cabeleiras
Que fazem uma vista formosíssima!

Para o gorro também, saco de asneiras
Eu quero uma regforma reverendíssima
Em um grande chapéu d´abrir fileiras!...

Mais tarde, quando o movimento de usar a batina aberta, se tornou
irresistivel, o Reitor D. João de Alarcão Osório determinou que o uso da
capa e batina se mantivesse, porém, era obrigatório gravata e colete pretos.
Na cabeça só podia ser usado o gorro.
O gorro contribuia para a valorização estetica estudantil, como o demonstra
a seguinte quadra do folclore coimbrão:

A beleza do estudante
E tal que, por ela, morro!
Gorro e capa, capa e livro,
Livro e capa, capa e gorro.»

Fernando Falcão Machado, 1986:42/43