METROBUS EXIGE QUE CIDADÃOS CARREGUEM OBRAS ÀS COSTAS E CMC APLAUDE

A nova campanha da Metro Mondego lembra que a segurança é uma "responsabilidade de todos", porém os conimbricenses são testemunhos da má gestão.
Esta contradição entre a má gestão e apontar o dedo à população agradou o executivo municipal, tudo leva a crer, pois aplicou a ideia da partilha de culpas ao resto da economia: quer mais empresas em Coimbra, mas cobra-lhes em crateras, lama fiscal e taxas turísticas “premium”.
Num golpe de génio de marketing institucional, a Metro Mondego veio finalmente explicar por que razão a Rua Lourenço Almeida Azevedo parece o cenário de um filme pós-apocalíptico de baixo orçamento. A segurança, dizem eles no site oficial, “é uma responsabilidade de todos”. Todos. Se o leitor tropeçar numa betoneira às três da manhã entre a Praça da República e Celas, a culpa não é do consórcio construtor; é sua, por não ter levado um colete retrorefletor e um capacete de engenheiro civil para ir comprar pão.
Fontes próximas da autarquia garantem que o conceito de "responsabilidade partilhada" vai avançar para a fase seguinte. Se a obra está atrasada e os prazos derraparam mais três meses, a Metro Mondego espera que os transeuntes e lojistas peguem numa pá ao passar. Afinal, reclamar do "estado de sítio" é fácil, mas ajudar a cimentar a via a caminho do trabalho é o verdadeiro civismo.
O Triângulo das Bermudas Económico: Atrair, Taxar e Bloquear
O executivo da Câmara de Coimbra tem um plano macroeconómico infalível para a cidade, assente num triângulo de forças místicas que desafia as leis da matemática:
1. Atrair Empresas: O município quer desesperadamente que novas empresas se instalem em Coimbra.
2. Boicotar o Acesso: Para testar a resiliência dessas mesmas empresas, remove as estradas e os passeios à volta delas durante um ano e meio.
3. Aumentar Taxas: Como prémio por terem sobrevivido aos dois pontos anteriores, aumenta a taxa turística para garantir que os clientes pagam mais pelo privilégio de fazer turismo de intervenção militar.
Nuno Simões, empresário de hotelaria que gere o LAA Studios, queixa-se de que os seus hóspedes deixam críticas terríveis nos motores de busca por causa dos acessos "surreais e vergonhosos". Claramente, falta visão comercial a este hoteleiro. No mercado moderno, o isolamento total é um luxo. Onde o empresário vê "prejuízo", a Câmara vê uma oportunidade de marketing: «Venha para Coimbra, o único destino europeu onde o seu hotel está protegido por um fosso medieval autêntico e trincheiras ativas.»
A Lógica da Batata na Taxa Turística
Os comerciantes locais, desesperados com a falta de clientes que não tenham curso de todo-o-terreno-urbano, sugeriram que a Câmara isentasse a taxa turística nas zonas em "estado de calamidade". A resposta do executivo foi um redondo e sonoro aumento da referida taxa.
A lógica é puramente “estranho” se um turista consegue saltar por cima de uma vala, desviar-se de um cano arrebentado, fugir de uma retroescavadora em fúria e ainda chegar ao Campo Desportivo de Santa Cruz com as malas intactas, essa pessoa não é um mero visitante. É um atleta de alta competição. E os atletas de alta competição têm poder financeiro para pagar taxas turísticas inflacionadas. A lama que levam agarrada aos sapatos à saída da Rua Lourenço Almeida Azevedo é considerada uma lembrança histórica da cidade, daí o custo extra.
O Ponney sabe que, na próxima fase do Sistema de Mobilidade do Mondego, a Metro Mondego vai pedir aos empresários locais para financiarem os semáforos humanos. Se a segurança é de todos, os lojistas que fiquem à porta dos estabelecimentos a agitar bandeiras vermelhas enquanto tentam vender um café ou alugar um quarto. Coimbra avança, a passo de caracol e de preferência com sapatos de biqueira de aço.
Lucas Silva
31-07-2026
