Prisioneiro do medo

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Confesso: sempre disse que não morreria por ter medo, antes por não ter medo. Hoje, não; hoje tenho medo de morrer.

Sei que não ganho nada com isso, antes perco. Vivo no terror do encontro com o inimigo invisível a que chamam vírus e baptizaram com o nome de “corona”(ou covid-19).

Estou em isolamento voluntário há mais de duas semanas, mas temo também pelas pessoas que me cercam, a família, e que arriscam a vida para que eu não arrisque a minha.

Tenho medo. Mais por elas que, embora resguardando-se, têm de ir à rua buscar alimentos, medicamentos e outros artigos de primeira necessidade, expondo-se.

Sim, tenho medo, porque o inimigo é “invisível” e traiçoeiro e não olha a meios para atingir os fins; tenho medo porque, tendo recorrido ao sns 24, ainda não consegui resposta, evidenciando, embora, ser doente de risco(s).

Li que médicos chineses estão a testar o medicamento favipiravir para tratar a Covid-19. Até ao momento os resultados são positivos, todavia o tratamento não é eficaz nos casos mais graves e avançados da doença; os americanos oferecem uma vacina lá para os finais do ano, quando uma grande parte da humanidade tiver ido ao galheiro, como se diz em português vernáculo. Não obstante, tenho medo de que o sns – não me refiro aos seus colaboradores – não saiba, não queira ou não possa dar resposta às necessidades muito urgentes de que o país carece: dizer que se vai ou está a fazer, é uma coisa; fazer é outra. E a rapaziada escolhida por Costa quer mas não sabe.

Sem rebuço: sou prisioneiro do medo como o mostra o meu isolamento voluntário.

Guerra ao vírus! É preciso acreditar.