Editorial 17/07/2026
ENQUANTO O CIDADÃO DORME, A MÁ GESTÃO FAZ A FESTA
O calor convida-nos a não andarmos a correr. O que nos permite tempo para perceber que as boas medidas políticas não caem do céu como “maná” e muito menos podemos esperar que nascem da súbita boa vontade de quem se senta nas cadeiras do poder.
Partem sempre, invariavelmente, da exigência e do barulho de cada cidadão. Só um maior envolvimento individual é capaz de travar a roda viva da incompetência. No sentido inverso, a nossa apatia é o melhor adubo para a má governação, exatamente quando a cidadania adormece na esplanada, o desleixo político faz a festa, engorda as faturas e deixa as soluções na gaveta.
É precisamente para sacudir a pasmagem e acordar as consciências que esta edição de O Ponney traz uma autêntica auditoria popular às contas e aos hábitos da nossa praça.
Abrimos a ementa de O Ponney com uma denúncia que devia fazer corar as paredes da autarquia, com o artigo «CASAS SOCIAIS CONSTRUÍDAS COMO LIXO A PREÇO DE LUXO». Investigámos os contornos da habitação social, fizemos contas e o cenário é desolador. Os materiais parecem escolhidos na sucata, a qualidade da construção é digna de um castelo de cartas, mas os preços finais pagos pelos contribuintes competem diretamente com os condomínios de luxo. Alguém anda a lucrar muito com o teto dos mais desfavorecidos. Mas porque não preocupa o poder autárquico?
Logo a seguir, mergulhamos no imobiliário privado com a crónica «O MILAGRE DO MERCADO IMOBILIÁRIO DE COIMBRA». A narrativa oficial diz que não há habitação na cidade, mas a realidade bate à porta com outro veredicto: Coimbra está cheia de casas. O problema é que estão trancadas a sete chaves a ganhar o bofo do esquecimento ou, pior, arrendadas à socapa, num mercado paralelo que foge ao fisco com a destreza de um atleta olímpico. Um milagre em que o único santo que não faturou foi o Ministério das Finanças.
E se pensa que o desperdício fica pelas paredes domésticas, passe os olhos por «ERROS MONUMENTAIS ELEVAM PREÇO DA ESCOLA EUGÉNIO DE CASTRO». Mais uma obra pública onde os orçamentos originais servem apenas de rascunho. Os concursos públicos são um cenário falhado onde os erros de planeamento acumulam-se em derrapagens monumentais. No fim, quem paga os orçamentos mal feitos são os mesmos de sempre: todos nós.
No campeonato da burocracia interna, trazemos um retrato hilariante e vergonhoso dos corredores municipais com o título provocador: «REZAR PARA QUE A DR.ª SOFIA NÃO SE REFORME». Descobrimos que os pagamentos de elevação de carreira dos funcionários da Câmara andam a passo de caracol e com atrasos pré-históricos. O motivo? O sistema administrativo está tão centralizado e arcaico que tudo depende, única e exclusivamente, do carimbo e da assinatura de uma tal Srª Dr.ª Sofia. Se a senhora mete baixa ou decide gozar a reforma, a máquina municipal colapsa e os trabalhadores ficam a pão e água, ou então...há qualquer coisa mal explicada.
Para fechar o ramalhete dos nossos destaques, o ensaio «EM COIMBRA O FUTURO É CONJUGADO NO PASSADO» faz o diagnóstico definitivo ao nosso atraso. Enquanto trazemos exemplos internacionais de cidades que planeiam a mobilidade, o urbanismo e a ecologia com os olhos postos nas próximas décadas, Coimbra insiste no seu desígnio medieval. Por cá, não há visão de futuro, há apenas a arte de ir navegando à vista e passar os dias a tapar os buracos que vão aparecendo em vez de um planeamento a curto, médio e (muito importante) longo prazo.
A lição desta edição é clara: ou os conimbricenses exigem ver os orçamentos bem aplicados e os serviços a funcionar, ou continuaremos a comprar Coimbra desmontada em caixas de cartão prensado para que cada cidadão resolva os seus problemas.
Depois passamos para a nossa tira de banda desenhada com o nosso jornalista preferido aqui na redação: O Ponney que nos traz um furo jornalístico.
Abrimos os artigos de opinião com «COMO AGRAFAR O FUTURO DO PAÍS EM CIMA DE UM QR CODE» escrito pela nossa amiga cronista, Rosário Portugal e Ministra do Movimento de Humor. Segue-se o artigo da nossa amiga Maria Júlia com o título: «A APORIA DO ALOJAMENTO ESTUDANTIL» onde se entende bem que faltam ações políticas em Coimbra. Talvez menos praças em segunda mão, menos foguetes e mais mais soluções.
Manuela Jones, a nossa sempre presente cronista, traz-nos «MEMÓRIAS DE ABRIL EM JULHO - O MILAGRE DA LIBERDADE». Fechamos estes artigos de opinião com «DISCLOSURE DAY VS CLOSE ENCOUNTERS - SEXTO ATO» uma epopeia escrita pelo Dr. Adriano Ferreira.
E assim fechamos mais uma edição com o sentimento de missão cívica completa.
Para todos quantos entendam criticar ou elogiar, agradecemos que nos enviem para o endereço de e-mail do nosso jornal O Ponney :
info@oponney.pt
Saudações conimbricenses;
José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney

