Editorial 21-12-2019

Um Natal longínquo…

Hoje o Natal é muito pouco, mesmo muito pouco NATAL!

O consumismo tornou-se marca, a solidariedade, a família, a entreajuda, salvo raras excepções desapareceram. Faz confusão ver tantas e tantas pessoas preocupadas com as “prendas” e nada preocupadas com o AMOR.

Lembro-me com saudade dos meus natais de criança. A alegria de participar. Embebedar o peru, correr atrás dele e dizer peru velho, queres casar comigo?” Ao que o animal “respondia”, glu! glu!, glu! A alegria de ir à missa do galo, estar desassossegada e mortinha por que viesse o Menino Jesus para beijar e assim poder voltar a casa e espreitar a chaminé. Sabia que ELE não me desapontava, mesmo que fosse (e era) pobrezinho o que me deixava.

Lembro-me, muito especialmente, de um Natal (68 anos passados) em que recebi a minha primeira boneca que abria e fechava os olhos. Era de celuloide, pequenina, também mexia as pernas e os braços. Para a época era uma boneca cara. Só passados muitos anos é que descobri quem me deu a boneca.

Por causa desta boneca aprendi a fazer crochet e as agulhas eram as carumas dos pinheiros. Foi com esta boneca que comecei, infelizmente, a perceber que a vida era complicada. Fui, talvez à época, a menina pobre em que o Menino Jesus deixou um artigo de “luxo”, e as meninas minhas “irmãs” não entendiam por que só eu…

Hoje as nossas crianças têm demais. Estamos a criar uma sociedade que não vai dar valor ao que tem e vai continuar a exigir mais e mais.

Lembro-me dos belhós com o cheirinho da canela a invadir a cozinha. Ainda hoje é tradição aqui em casa. As fatias paridas com o molho do vinho tinto, ou com o molho de chá. As broinhas, os sonhos, e não havia bolo-rei.

Outros natais, outros tempos, outras realidades.

A todos os colaboradores, amigos e leitores, desejo um Santo e Feliz Natal.

Imagem retirada da net

 

 

 

 

 

Maria Leonor Correia