Editorial 27/02/2026
“É UMA LOUCURA”
A expressão sai-nos tanto para elogiar como para criticar negativamente, no café ou em ambientes mais descontraídos onde não escolhemos as palavras. Palavras usadas para julgar rapidamente e sem grande reflexão. Com exceção de alguns filósofos escravizados pelos métodos na busca da verdade, ou de alguns “loucos” roídos pelos escrúpulos, todos nós, de uma maneira ou de outra nos desabituámos, ou antes nos desembaraçámos alegremente, do penoso trabalho de aferir as nossas opiniões.
O importante, nestas nossas impressões fluídas formadas nas nossas maciças conclusões, é que desejamos intimamente sermos “normais” e até normalizar o outro. Não temos tempo para ouvir quem nos está mais próximo quanto mais os que se sentam mais longe, e assim os rótulos são sempre mais fáceis de colocar. Sobretudo quando nos contentamos com a impressão rápida mal escutada a uma esquina, numa manhã de vento.
Os julgamentos que fazemos sobre as pessoas que são neurológicamente diferentes entram nesta forma rápida e desatenta de formarmos opinião. Não nos preocupamos com a fantasia, que nos poderia colorir o nosso mundo as pessoas neurológicamente diferentes, nem com a criatividade que poderia trazer resolução de problemas ao nosso dia-a-dia se, e só se: mandássemos às favas a “normalização”. Pois se não nos preocupamos com o outro, que aparenta tanta normalidade, como haveríamos de dar do nosso tempo e do nosso ouvido ao que é diferente?
Com esta ideia acabámos por decidir por este tema, sugerido pela nossa recente colaboradora Iara Santos, que nos levou a podermos refletir sobre uma certa maneira diferente de estarmos.
Neste tema iniciamos com um artigo sobre «MANIFESTO ABUSO DE PODER» onde também pode refletir o erro de uma certa “normalização” mas que, alegadamente, esconde uma desorganização de pensamento de quem deseja poder que na realidade não tem e não lhe foi dado pela Democracia.
Iara Santos traz-nos o caso de um «SUICÍDIO POR IRRESPONSABILIDADE» um acontecimento trágico que deve ser lembrado para que não se cometam casos idênticos a este e que terminou de maneira perfeitamente lamentável.
Também falamos de direitos humanos quando tratamos de um assunto que está para além da defesa de direitos com o nosso artigo «NÃO É IDEOLOGIA, É DIREITO». A reflexão está sobre se um direito é apenas luta de um grupo ou se é uma questão transversal a todos nós.
O artigo com o título «NAÇÃO PSYCHO» pode levar o leitor a pensar que, também, nós nos “passámos dos carretos”, mas a verdade é que o abuso de psicotrópicos em Portugal é coisa demasiado grave para não ser desconsiderada.
Terminamos os artigos de destaque com a notícia de fundo sobre como estas últimas tempestades (ou depressões meteorológicas) nos afetaram, não só os tão falados danos materiais como os danos a nível psicológico. Não seria também uma das razões que levou à exaltação da Presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa?
Depois aliviamos com a nossa tira da Dani. Pelo facto de ser uma tira de banda desenhada não deixa de ter conteúdo que nos deve fazer refletir para que possamos mudar os nossos hábitos de alimentação e até de vida.
Os artigos de opinião iniciam com a nossa amiga Manuela Jones sobre um grupo de profissionais tão importante e tão esquecidos como são «A IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES DE BRAILLE E DE LÍNGUA GESTUAL».
Depois passamos para uma questão que tem levantado tanta polémica quando há greves: «COMO SERIA PORTUGAL SEM SINDICATOS?», escrito pelo nosso amigo Sancho Antunes. Concordando ou não com a opinião expressa no artigo merece sempre reflexão por quem deseja ser um cidadão ativo na democracia.
Por isso, esta semana desejamos que tenha um excelente fim de semana cheio de emoções enquadrado pela racionalidade sem perder o colorido de quem pensa diferente.
José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney

