TURMA DA MÓNICA PODE SER PERIGOSA PARA A ANGLOFONIA?

Será que a cultura que fala português pode ser uma grave ameaça à cultura da anglófona? A julgar por este acontecimento estamos em crer que sim.
No início de 1985 a grande editora de revistas brasileiras Abril, que publica as histórias de banda desenhada (ou “quadrinhos” - como se diz no Brasil) da turma da Mónica, do lápis de Maurício de Sousa, acordou com Adolf Kabateck, principal executivo da editora alemã Ehapa Verlag para vender na Europa as tirinhas brasileiras. No entanto, um ano depois das primeiras edições, foram suspensas dos mercados europeus.
O mistério da suspensão das revistas de banda desenhada da Turma da Mónica na Europa continua por resolver, ainda hoje em 2025. Por algumas buscas apareceram alguns indícios do que poderia ter acontecido. Escreve o próprio Maurício de Sousa, no seu livro auto-biográfico (“MAURICIO A HISTÓRIA QUE NÃO ESTÁ NO GIBI”- editora PRIMEIRA PESSOA):
«Mais uma vez não tenho como afirmar o que provocou a retirada de circulação, uma vez que, até onde sei, a aceitação e a recetividade do público infantil não eram desprezíveis. Tempos depois, no entanto, um amigo do mercado editorial me contou o que teria acontecido. É apenas uma versão dos factos, mas faz certo sentido.
De acordo com esse amigo, a Disney, que também era publicada pelo mesmo grupo que eu na Europa, ficou incomodada com a concorrência nos quadrinhos e forçou a barra para retirar do mercado o brasileiro supostamente ameaçador.»
Em Portugal sempre estiveram os dois tipos de revistinhas infantis, a da Disney e as de Maurício de Sousa, nunca um tipo atrapalhou economicamente o outro. Então o que seria?
Será que era a disseminação de uma cultura brasileira que incomodava a disseminação da cultura anglofona?
Também não há a certeza, mas tudo indica afirmativamente este receio. Afinal de contas a língua portuguesa, e a sua cultura, tem um conjunto de países que pode, um dia acordar, como um gigante adormecido. Talvez! Talvez!
AF
14-11-2025
