ESTOU COMOVIDO, PRONTO ...

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A minha comoção e o meu comovido agradecimento não conhecem limites. Estou agradecido, até à Eternidade, ao Costa, à Cristas, ao Jerónimo, ao Rio, à Catarina, à Heloísa, a Apolónia, e ao gajo do PAN, por se interessarem tanto por mim.

Julgava-me eu a um canto, devastado, destroçado, ignorado, escarnecido por todos. E eis que, subitamente, há eleições. E logo todo este maralhal desperta da mais longa modorra e do maior e mais comprovável desinteresse, para me dizer que eles e elas, todos eles e todas elas, estão preocupados COMIGO.

Sou levado às lágrimas. Todos querem saber se eu vivo bem; se a minha dieta é a mais adequada; se me lavo  se pago poucos ou muitos impostos; se viajo confortavelmente; se tenho espectáculos culturais em número e qualidade suficientes; se transpiro no metropolitano; se os netinhos vão a boas e eficazes escolas; se trato adequadamente das minhas mazelas de saúde; se o meu sobrinho, criança transgénero, faz chichi em condições de privacidade; se ligo para a linha "não sei quê 24", no caso de ter um ataque cardíaco; se me vacino contra a gripe em Outubro; se leio, (que o Senhor Presidente coloca o Palácio Rosa à disposição dos livreiros); se bebo a suficiente água em dias de canícula, etc, etc. etc ...

Eu bem queria não ser tão importante. Eu bem queria exilar-me no Mosteiro de Singeverga e ficar por lá, alapardado e anónimo. Mas não. O Costa, o Rio, a Catarina e o resto do putedo querem saber de mim. Preocupam-se comigo, com a minha vida medíocre; com as minhas digestões; com as minhas possíveis erisipelas.

Desculparão, mas tenho de aproveitar. Estas magnanimidades são sazonais. Acontecem apenas de quatro em quatro anos. A menos que a legislatura acabe fora de tempo. Nesse caso, este admirável surto de companheirismo e de solidariedade voltará novamente.

Amadeu Homem 

Imagem retirada da net