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APOIO DAS IGREJAS 1

 

A Igreja, além de unir vários crentes pela fé desempenha também um papel fundamental na organização e no desenvolvimento da sociedade. Mais à frente da sua missão espiritual e religiosa, tem uma presença concreta na preservação do património cultural, na promoção da dignidade humana e no apoio aos mais vulneráveis. A sua ação passa também pela educação, justiça e transmissão de valores éticos e morais, através de diversas iniciativas sociais e humanitárias, dando muitas vezes respostas que o Estado não consegue garantir sozinho.
Compreender o papel da Igreja na sociedade implica, reconhecer a sua influência em diferentes dimensões da vida coletiva.

Um dos contributos mais fortes da Igreja está na construção e fortalecimento das comunidades humanas. É muitas vezes no meio da comunidade religiosa que as pessoas encontram um espaço de conforto, acolhimento e solidariedade, onde cada ser humano é valorizado independentemente da sua condição económica, social ou intelectual. Num mundo que valoriza sobretudo a produtividade e os recursos financeiros, a Igreja recorda que a dignidade humana não depende do que alguém tem, mas sim do que é.

De acordo com a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) as associações católicas, têm um enorme peso em Portugal. Existem 5.647 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), das quais cerca de 30% têm origem ou ligação direta à Igreja Católica.

Estas instituições incluem centros sociais paroquiais, Misericórdias, Cáritas diocesanas, obras de congregações religiosas e associações de voluntariado. Segundo a União das Misericórdias Portuguesas, só as Misericórdias, por sua vez, são responsáveis por uma vasta rede de lares, centros de dia, creches, unidades de cuidados continuados e hospitais. Em conjunto, acolhe mais de 90 mil idosos e pessoas dependentes. A Cáritas Portuguesa, por sua vez, presta apoio direto a mais de 120 mil pessoas por ano, através de programas de alimentação, habitação, apoio psicológico, jurídico e integração de migrantes. De acordo com a Fides, a nível mundial, a Igreja mantém 126.549 missões, muitas em zonas de guerra, fome ou perseguição.


Além disso, existem 105 mil missionários consagrados (pessoas que dedicam a vida a Deus) e mais de 410 mil missionários leigos (fazem a missão, mas mantém a sua vida profissional e familiar) que trabalham diariamente em regiões de pobreza extrema, oferecendo educação, cuidados de saúde, apoio espiritual e ajuda humanitária.

 

O peso social não é apenas numérico, mas sim estrutural, grande parte destas instituições chegam onde o Estado não consegue chegar e acabam por oferecer proximidade e acompanhamento humano. A Igreja não substitui o Estado, mas complementa-o e garante que ninguém fica para trás, a missão não nasce apenas da necessidade de responder a falhas do Estado, mas do próprio coração da fé cristã.
A Igreja é também guardiã de grande parte do património histórico e artístico do país: igrejas, conventos e mosteiros que preserva e restaura em colaboração com autarquias e entidades culturais. Estes espaços não são apenas monumentos, mas lugares vivos de memória, identidade e espiritualidade.


Fundada por Cristo, a Igreja entende-se como o prolongamento da sua ação no mundo. Por este motivo, a sua intervenção social é uma consequência natural de promover o bem, a justiça e a reconciliação entre os seres humanos. Ao longo da história, esta missão tem-se manifestado através da educação, da promoção da paz, da defesa da dignidade humana e do fortalecimento das relações de solidariedade entre os povos.

Mais do que uma instituição religiosa, a Igreja apresenta-se como um espaço de encontro, esperança e compromisso com o bem comum. Inspirada pelos valores do Evangelho, continua a desafiar a sociedade a promover a dignidade humana, a solidariedade e a justiça social, valores que permanecem essenciais num mundo em constante mudança.

Isis
27/03/2026