COIMBRA JÁ PERDEU O SUFICIENTE

O ano de 2025 iniciou em Coimbra com o fecho da Estação Nova. Coimbra iniciou o ano a perder a ligação entre as estações ferroviárias de Coimbra A e B. Era já um fim anunciado, mas que provocou uma incendiada discussão em Coimbra. Hoje, o novo executivo da Câmara de Coimbra, liderado por Ana Abrunhosa, herdou um edifício apenas com as paredes e possivelmente até sem o relógio que encima a antiga Estação Nova.
Mas vamos lembrar a falta de diálogo entre os cidadãos e as decisões das instituições públicas. Começamos com a figura que encabeçou o Movimento Cívico pela Estação Nova (MCEN), Luís Neto, que defendeu a manutenção da ligação entre Coimbra-B e Coimbra-A, entendendo que este seria “um erro histórico”. Argumentando a importância da ligação entre as duas estações – mais de 1,3 milhões de passageiros anuais – considerando que o fim da ferrovia, no centro da cidade, vá criar “um afunilamento brutal em Coimbra-B”.
Disse na altura: «O que está proposto é que todas as pessoas saiam em Coimbra-B para apanhar metrobus, para depois chegar ao centro onde pode ter de fazer novo transbordo», salientou, apontando ainda para as capacidades distintas de um comboio (cerca de 550 passageiros) e de um metrobus (130 passageiros “em modo sardinha em lata”, realçou). Antevendo que face ao “incómodo dos transbordos” e ao afunilamento em Coimbra-B, mais pessoas “passem a usar o automóvel para chegar ao centro da cidade”. Aumentando a poluição na cidade de Coimbra.
Sublinhando que “Acabar com uma estação no centro é o contrário do que se quer numa cidade do século XXI”. Apontando para outros problemas no caminho, nomeadamente uma das fases de requalificação de Coimbra-B acontecer já depois de estar a funcionar o metrobus.
Questionado sobre o adiamento que o projeto sofreria com uma revisão do seu desenho neste momento, Luís Neto considerou que “é possível fazer alterações ao projeto e ao seu calendário”, referindo que essa alteração não afetaria a execução da linha de Serpins (Lousã) do Metro Mondego.
Por outro lado a Metro Mondego considerou que «As obras estão já muito avançadas junto à estação de Coimbra B, e por isso os trabalhos vão agora incidir no canal. E isso inviabiliza, como é evidente, a circulação ferroviária.»
Durante o período em que decorrem as obras, e até que fique pronto a funcionar o sistema de metrobus, a ligação entre estações será assegurada “por um serviço rodoviário alternativo, já contratado à empresa Vale do Ave”, adiantou a mesma fonte.
Porém, a empresa escusa a comprometer-se ou a revelar um período para esta solução alternativa, por não ser da sua responsabilidade. Na verdade, já foram vários os prazos apontados pela dona da obra, a IP – Infra-Estruturas de Portugal, mas o mais recente fixou em Março de 2025 o fim dos condicionamentos rodoviários junto à Estação de Coimbra B. Apesar do encerramento da ligação ferroviária ser feita em Janeiro de 2025 a previsão de fim de constrangimentos rodoviários, desta zona, será lá para Março deste ano de 2025. Ainda assim, a confirmar-se este prazo, quer dizer que a obra encerra um atraso de oito meses, face ao inicialmente previsto.
Contactados pela agência Lusa, Câmara de Coimbra, Metro Mondego e o próprio Ministério das Infraestruturas consideraram a discussão em torno da Estação Nova extemporânea, defendendo o atual projeto. Sem que se oiçam os cidadãos, como é próprio de um país democrático.
O anterior executivo da Câmara de Coimbra, liderado por José Manuel Silva, que teria a missão de ouvir os munícipes, manteve-se crítico em relação ao traçado do metrobus, em campanha eleitoral das últimas autárquicas, mas em funções de executivo nunca questionou o encerramento de Coimbra A.
Hoje, com um novo executivo espera-se mais diálogo e menos prepotência na decisão da futura missão do espaço histórico da antiga “Estação Nova”. Muitos cidadãos acreditam que a presidente da Câmara de Coimbra oiça, desta vez, a população.
AF
05-12-2025
