FESTAS DO CORPUS-CHRISTI EM COIMBRA

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(Uma inacreditável mistura das folias pagãs dos diversos mesteres da Cidade com a mais imponente manifestação de religiosidade.

Descrita por A. da Rocha Brito ("Horas Coimbrãs", Coimbra, 1944, pp. 78-83).) 

 

A especial veneração de Coimbra por estas celebrações deve estar relacionada com o “horrendo desacato” ocorrido em 1362 quando um mancebo cristão, de nome João, criado do tesoureiro da Sé Velha, se deixou subornar por um judeu chamado Joseph  morador na Judiaria Velha (zona da actual Rua Corpo de Deus, do lado exterior da cerca da cidade) e roubou da Sé um vaso de prato com cinco hóstias consagradas. O Joseph levou as hóstias para casa e, entre graves blasfémias, colocou-as em azeite a ferver, mas as hóstias saltavam sempre para fora, formando uma cruz. Desesperado, decidiu lançá-las numa montureira junto de sua casa, mas as hóstias irradiavam uma luz intensa, alvoroçando toda a vizinhança. Descobertas as hóstias, retornaram para a Sé, enquanto o João e o Joseph acabaram na forca. No local onde foram encontradas as hóstias ergueu-se em 1367 a Capela do Corpo de Deus ou de Nossa Senhora da Vitória, reedificada em fins do século XVII e reformada em 1780, onde hoje funciona o restaurante e casa de fados “À Capella”.

Mário Torres